Rei narrando O asfalto de Minas é silencioso demais para um homem que cresceu ouvindo os tiros de fuzis e o rádio chiando na cintura. Eu tentei, juro que tentei, passei os últimos quinze anos respirando o ar puro da roça, vendo o gado pastar e sentindo o cheiro de terra molhada na minha fazenda, longe de toda a sujeira do Rio, mas o sangue da gente não vira água só porque a gente muda de CEP. Depois que o meu irmão de alma, o Henrique o eterno Carrasco, sofreu aquele atentado covarde que ainda me faz ranger os dentes, eu tive que segurar o rojão, o morro não podia ficar sem direção, então assumi essa p***a, ditei as regras e mantive a ordem até que o Gabriel, o filho dele, e o meu próprio filho, o Pedro que hoje o morro só conhece como Polegar, tivessem barba na cara e gelo nas veias pa

