Manuela narrando A noite no baile tinha sido um borrão de luzes, barulho e medo, mas o que mais me perturbava era o silêncio que ficou quando o Satan me deixou na porta de casa, eu fiquei ali, observando o rastro de luz da moto dele sumir na curva da viela, por um segundo um segundo maldito que me deu nojo de mim mesma eu senti um aperto no meu peito, uma decepção por ele ter ido embora daquele jeito, sem olhar para trás. — Que p***a é essa, Manuela? — murmurei para as paredes. — O cara matou seu irmão, te trata como p**a e tu tá sentindo falta? Acorda pra vida, garota! Entrei em casa pisando fofo, tentando afastar aquela sensação de abandono e dei de cara com a minha mãe sentada na poltrona da sala, com o terço na mão e os olhos fundos de quem não tinha pregado o olho. — Mãe? Por que

