Manuela narrando O asfalto liso da Zona Sul ficou para trás, substituído pelo sacolejo da subida e pelo cheiro de pólvora e esgoto que impregna o ar da favela, já era noite quando o Polegar parou o carro na porta da minha casa, meu corpo parecia feito de chumbo, e minha mente era um turbilhão de imagens: o rosto pálido da minha mãe, o luxo silencioso da clínica e a sombra aterrorizante do homem que tinha pagado por tudo aquilo. — Entregue em casa, morena — disse o Polegar, desligando o motor e me olhando pelo retrovisor. — Obrigada, Polegar, de verdade... por ter ido me buscar. Ele deu um sorriso curto, batendo os dedos no volante. — Não agradece a mim não, Manu, o papo é reto: o Satan que deu a ordem, ele fez questão que eu garantisse que você e sua coroa tivessem o melhor atendimen

