Renata narrando Eu estava sentada no sofá, com o meu corpo ainda fraco da cirurgia, mas o que doía de verdade não era o corte no meu peito, era o buraco que se abriu na minha alma, o silêncio daquela sala, depois que os vapores do Satan arrastaram o meu Leonardo, era o silêncio mais barulhento que eu já ouvi na vida. Eu sou mãe, entende? Por mais que o fruto seja podre, a raiz é a mesma, eu carreguei aquele moleque nove meses, dei o peito, limpei as feridas quando ele era pequeno e caía jogando bola nas vielas, eu vi o brilho nos olhos dele sumir conforme a pedra ia consumindo o que restava do meu filho, transformando o meu menino num monstro que tentou vender a própria irmã. Manuela estava na cozinha, mexendo nas panelas como se estivesse em transe, o som da colher batendo no metal era

