Viviane narrando O som lá fora não era de gente, era de bicho, a favela estava sendo rasgada ao meio por aquela chuva de chumbo, e eu sentia cada estalo de fuzil como se fosse um prego sendo batido no meu caixão, eu e a Manuela estávamos encolhidas no canto da sala da casa do Polegar, onde as paredes são grossas, mas o medo é mais fino que papel. — Calma, Manu... pelo amor de Deus, tenta respirar — eu dizia, segurando as mãos dela que estavam geladas, parecendo defunto. — Minha mãe, Vivi... a minha mãe deve estar morrendo de susto. Ela é doente, o coração dela não aguenta esse barulho. Eu não devia ter vindo, eu sabia que isso ia dar merda! — Ela chorava baixinho, um choro de quem já aceitou que o destino é c***l. — O Satan tá lá fora, ele não vai deixar ninguém chegar aqui. O Polegar

