Satan narrando O ódio era a única coisa que me mantinha de pé, o sangue do tiro de raspão no braço já tinha estancado, virando uma crosta escura que repuxava a pele, mas o que ardia de verdade, lá no fundo da alma, era a traição, o Coringa... um moleque que eu tirei do lixo, que eu ensinei a segurar um fuzil e dei a responsabilidade de cuidar da minha casa, tinha me traído. — Polegar, presta atenção aqui, p***a! — rosnei, batendo com a coronha do fuzil sobre o mapa estendido no capô do carro o suor escorria pelo meu rosto, misturado com a poeira da guerra. — O galpão na divisa da Pedreira é cercado por mata fechada e tem aquela estrutura de zinco reforçada Coringa ele acha que eu vou entrar pela frente, metendo o louco e fazendo barulho pra ser recebido por uma chuva de chumbo. Mas a ge

