Polegar narrando Eu tava na salinha com Coringa, aquele cubículo abafado onde o ar já nasce morto, amaciando a carne do desgraçado. Não é força, é paciência, a dor certa no tempo certo faz qualquer um falar, o Coringa gemia baixo, cuspindo sangue no chão, tentando bancar o valente, mas eu conheço esse tipo, todo mundo é macho até perceber que ninguém vai abrir aquela porta pra salvar. O cheiro era de ferrugem, suor e medo a música baixa lá fora, pra abafar qualquer grito, clássico, eu gostava de trabalhar assim, sem plateia. Satan queria o Coringa vivo… por enquanto. Queria sentir o gosto da espera antes de mandar esse filho da p**a pro inferno. E eu tava preparando o terreno. — Respira, p***a — falei, calmo, enquanto ajeitava a mão. — Quanto mais tu luta, mais demora. Ele levantou o

