Manuela narrando O Satan me deu uma trégua durante a semana em que minha mãe mais precisou de mim, por um momento, na ilusão daquela clínica silenciosa, eu quase esqueci quem ele era. Mas hoje a minha paz foi estraçalhada, em menos de poucas horas, ele mandou meu irmão para o inferno e me possuiu com uma fúria que ainda faz meu corpo tremer, agora, ele quer me levar para o baile, como se eu fosse um troféu de guerra para ser exibido entre fuzis e batidões. Fui arrancada do meu torpor pela voz grossa. — O Polegar vem mais tarde deixar umas paradas para você. Quero tu hoje no baile, sem falta e sem bico — ele disse, limpando a boca e se levantando como se fosse o dono do meu destino. E, de fato, ele era. — Eu não tenho escolha, não é? — perguntei, a minha voz saindo pequena, mas carrega

