A sala estava silenciosa, só o zumbido discreto do ar-condicionado preenchia o espaço. Eu estava sentado atrás da mesa de mogno, revisando alguns relatórios da empresa que meu pai tinha me incumbido de analisar. Por mais que minha mente estivesse cheia, sempre dava um jeito de voltar ao mesmo ponto: Isadora. A lembrança dela era uma presença constante, latejante, como uma batida suave mas persistente. E, ironicamente, era exatamente esse sentimento que me dava forças para aguentar tudo. Eu nem tinha levantado os olhos para descansar a vista quando a porta se abriu sem aviso. Lara. Ela entrou como quem fosse dona do lugar, o salto alto estalando contra o piso de madeira, o perfume adocicado invadindo o ar. Vestia um vestido justo, vermelho escuro, que parecia ter sido escolhido a dedo pa

