A manhã seguinte chegou com uma claridade complicada, filtrando-se pelas cortinas da mansão e lembrando a todos de que nada voltaria a ser como antes. Apesar de ter conquistado a presidência, o espaço ainda respirava a presença do meu pai como se ele pudesse sufocar qualquer vitória que eu tivesse. Ele andava pelos corredores com passos lentos, cada gesto calculado, a postura firme de alguém que ainda se considera dono de tudo ali — inclusive de mim. Isadora permanecia em silêncio na cozinha, servindo café para mim e para Lorenzo, mas sem cruzar palavras com ele. Era perceptível que a descoberta das traições ainda queimava na memória dela, e eu podia sentir a tensão em cada gesto dela: o leve tremer das mãos, o jeito que ela evitava encarar meu pai, a maneira cuidadosa de colocar a xícara

