Eu ainda sentia o gosto dela nos meus lábios. O beijo, aquele instante roubado do tempo, parecia ecoar em cada parte do meu corpo. Eu nem respirava direito, preso no olhar azul de Isadora, como se estivesse diante de um milagre. Mas de repente… ela recuou. Vi a mudança acontecer no rosto dela, como se uma sombra tivesse atravessado a sala. Os olhos dela arregalaram, a respiração ficou curta, e o rubor bonito nas bochechas se transformou em pânico. — Meu Deus… o que eu fiz? — ela sussurrou, levando as mãos à boca, como se quisesse apagar o beijo. — Isadora… calma… — tentei me aproximar, mas ela se afastou bruscamente, a cadeira arrastando no chão com um estrondo seco. — Não, Enzo! Isso foi um erro! — a voz dela saiu alta, trêmula, carregada de desespero. — Eu não podia ter feito isso…

