A manhã seguinte chegou carregada de uma tensão invisível. O sol brilhava lá fora, mas dentro de mim havia apenas escuridão. Isadora preparava café na cozinha, silenciosa. Eu a observava de longe, o coração apertado. Desde a noite anterior, tínhamos chegado à conclusão de que meu pai poderia estar envolvido, mas não era uma decisão fácil de engolir. Era meu pai, afinal. O homem que me ensinara a andar de bicicleta, que me cobrava notas altas, que estava sempre um passo à frente de tudo. E justamente por isso parecia tão possível que ele estivesse envolvido. — A gente precisa chamá-lo pra conversar — falei, quebrando o silêncio. Isadora virou-se devagar, apoiando as mãos no balcão. — Tem certeza? — Não podemos acusá-lo sem provas. — Respirei fundo. — Vamos jogar o jogo dele. Fingir que

