Acordei antes do sol nascer. O peso da conversa com meu pai na prisão ainda martelava na minha cabeça como uma ressaca sem fim. As palavras dele ecoavam: “Há provas, alguém abriu a boca.” Era como se eu pudesse ouvir a sentença batendo o martelo no futuro. Mas havia algo além disso. Algo que me incomodava de um jeito estranho: Melissa. Ela simplesmente havia sumido. Do nada. Nos dias seguintes à prisão do meu pai, Isadora e eu tentamos procurá-la. Queríamos confrontá-la de uma vez por todas, apertar o cerco, forçar a verdade a sair da boca dela. Mas não havia Melissa. Não havia nada. Primeiro, ligamos para o número dela. Fora de área. Tentamos de novo, dezenas de vezes, em horários diferentes, sem sucesso. Depois, fomos até o apartamento onde ela morava. A portaria dizia que ela tinha

