NO PULO

1004 Words
CAPÍTULO 7 MAYA NARRANDO Eu definitivamente já tinha bebido mais do que deveria. Não a ponto de perder a consciência. Mas o suficiente pra esquecer um pouco do nervosismo que tinha sentido quando cheguei. Agora eu tava me divertindo de verdade. — Eu falei que tu ia gostar! — Bianca gritou perto do meu ouvido por causa do som alto. Comecei a rir. — Eu admito que você tava certa! — Milagre! Renata levantou o copo. — Um brinde à patricinha que sobreviveu ao primeiro baile! Nós três começamos a rir. As luzes coloridas piscavam sem parar enquanto o DJ trocava de música e a multidão parecia cantar junto. Era impossível não entrar no clima. Eu dançava com as meninas enquanto observava tudo ao redor. As pessoas, as roupas, a energia. Tudo era tão diferente da minha rotina que parecia uma viagem para outro mundo. Mas tinha uma coisa que eu não conseguia tirar da cabeça ou melhor uma pessoa. Meu olhar subiu automaticamente para o camarote e encontrei ele lá. O tal Danilo no mesmo lugar, observando tudo ou quase tudo. Porque em vários momentos eu tinha a impressão de que ele estava me observando e isso fazia meu estômago dar pequenas cambalhotas. Que horror isso porque eu nem conhecia aquele homem. — Tá olhando pra onde? — Bianca perguntou. — Pra nada. — Mentira. Revirei os olhos. — Você é insuportável. Ela seguiu meu olhar e imediatamente abriu um sorriso enorme. — Ahhh... — Cala a boca. — Tu tá olhando pro dono do morro! — Não tô. — Tá sim. Renata começou a rir também. — Acho que ele também tá olhando pra ela. Meu coração errou uma batida. — Para de inventar coisa. Mas antes que qualquer uma delas respondesse, senti meu celular vibrar dentro da bolsa e congelei na mesma hora. Porque lembrei da regra que o celular era proibido. Olhei discretamente para os lados e ninguém parecia ter percebido. Devagar, enfiei a mão dentro da bolsa. A tela acendeu. Era apenas uma mensagem da minha tia perguntando se eu tinha chegado bem na casa da Bianca. Soltei o ar aliviada. Mas naquele mesmo instante, uma ideia perigosa surgiu na minha cabeça. Uma foto. Só uma. Ninguém ia perceber. Era impossível vir até ali e não registrar nada. Absolutamente impossível. Olhei para Bianca, olhei para Renata e depois para a multidão dançando. Meu dedo apertou o celular dentro da bolsa. Sabendo perfeitamente que era uma péssima ideia e mesmo assim a vontade de fazer aquilo só aumentava. Eu sabia que era uma péssima ideia, sabia mesmo. Mas a curiosidade sempre foi meu maior defeito. Olhei para os lados mais uma vez antes de me afastar das meninas. — Vou ao banheiro rapidinho. — Não demora! — Bianca gritou. Assenti e fui caminhando no meio da multidão até encontrar os banheiros. Assim que entrei, soltei um suspiro. O som do baile ainda chegava alto ali dentro, mas pelo menos dava pra pensar direito ou quase. Peguei o celular da bolsa e desbloqueei a tela. As notificações explodiram na mesma hora. Mensagens. Curtidas. Comentários. Minha vida inteira estava ali dentro. Sem pensar muito, abri o i********:. Alguns segundos depois já estava fazendo uma transmissão para os meus seguidores mais próximos. — Gente... vocês não vão acreditar onde eu tô. Os comentários começaram a subir imediatamente. "MAYA???" "ONDE VOCÊ ESTÁ?" "ESSA MÚSICA É DE BAILE?" "MEU DEUS, CONTA TUDO!" Acabei rindo. — Eu não posso falar muita coisa... A enxurrada de mensagens aumentou. "MOSTRA!" "QUEREMOS VER!" "VOCÊ TÁ NO MORRO?" "MAYA TU É MALUCA!" Mordi o canto da boca. — Digamos que eu estou conhecendo um lugar diferente hoje. Os comentários ficaram ainda mais rápidos. "ELA TÁ NO BAILE!" "EU SABIA!" "MAYA PELO AMOR DE DEUS MOSTRA!" Balancei a cabeça. — Aqui não pode usar celular. Na mesma hora a transmissão enlouqueceu. "ENTÃO DESLIGA ISSO!" "TU É DOIDA!" "VÃO TOMAR TEU CELULAR!" "EU TÔ PASSANDO m*l!" Comecei a rir. — Relaxem. Eu só vou mostrar um pouquinho. Ninguém vai perceber. Ou pelo menos era o que eu esperava. Desliguei o som do celular e escondi o aparelho parcialmente dentro da bolsa antes de sair do banheiro. Meu coração batia tão forte que chegava a doer. Voltei para a quadra tentando agir normalmente. As luzes coloridas iluminavam tudo. A música fazia o chão vibrar. A multidão dançava sem parar e eu, completamente sem juízo, continuei com o celular ligado discretamente. Inclinei a bolsa só um pouco. O suficiente para mostrar parte do baile. Os comentários começaram a disparar. "MEU DEUS!" "ELA FEZ MESMO!" "OLHA O TAMANHO DISSO!" "MAYA CORRE!" Eu estava tão focada na tela que não vi alguém passar na minha frente. Tropecei. — Ai! A bolsa escorregou do meu ombro e o celular caiu direto no chão. Meu coração parou na mesma hora. Eu me abaixei rapidamente para pegar o aparelho. Mas quando levantei o rosto, eu congelei. Porque havia um homem parado bem na minha frente. Alto. Moreno. Braços fechados de tatuagem. Corrente grossa brilhando no pescoço. O olhar frio, pesado e perigoso. Danilo. O dono do morro e pela expressão dele, ele tinha visto exatamente o que eu estava fazendo. Meu coração simplesmente parou. De perto ele era ainda mais intimidador. Muito mais. O olhar escuro fixo em mim e a expressão fechada que fez meu estômago despencar. — Que que tu tava fazendo com esse celular? — ele perguntou, a voz grave. Engoli seco. — N-Nada. Ótima resposta, Maya. Parabéns. — Nada? — ele arqueou uma sobrancelha. Assenti rápido demais. — É... nada. O olhar dele desceu para o aparelho que eu segurava. Depois voltou para o meu rosto. — Tu acha que eu sou o****o? Meu coração batia tão forte que eu tinha certeza que ele conseguia ouvir. — Eu só tava respondendo uma mensagem. — Respondendo uma mensagem enquanto escondia o celular dentro da bolsa? Droga. Ele tinha visto. Eu tentei pensar em alguma desculpa convincente, mas não encontrei nenhuma. — Eu... Continua...... Deixem bilhetinhos 📚
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