Ely
Quando saio do banheiro, enrolada na toalha, Dante não está ali e fico aliviada. Até me assustar encontrando uma mulher lendo uma revista sentada na mesinha, como se fosse natural.
Dou um passo para trás, segurando o nó da toalha contra o meu peito com tanta força que meus dedos chegam a doer. Meus olhos se arregalam diante da desconhecida. Ela é uma mulher madura, elegante, com traços marcantes e cabelos perfeitamente alinhados que exalam uma sofisticação natural. Assim que ouve o som dos meus passos, ela fecha a revista e a coloca sobre a mesa, erguendo o rosto na minha direção.
No segundo em que seus olhos pousam em mim, um sorriso imenso, caloroso e genuinamente alegre se abre em seus lábios. Ela se levanta imediatamente.
— Oh, querida! Olhe para você! — ela exclama, aproximando-se com passos leves. — Você está ainda mais bonita do que antes!
Pisko os olhos repetidas vezes, completamente confusa. Sinto minhas bochechas corarem, mas a menção ao passado faz um nó se dar na minha mente.
— Desculpe... — murmuro, a voz saindo tímida e incerta. — Nós... nós nos conhecemos?
A mulher estanca a poucos passos de mim, e o brilho alegre em seu olhar é substituído por uma expressão de súbita compreensão e uma pitada de tristeza. Ela leva a mão delicada à boca, assentindo devagar.
— Ah, sim... O acidente — ela diz, e sua voz cai para um tom suave, cheio de empatia. — Sinto muito, minha querida. Eu me esqueci por um momento que você passou por aquela tragédia.
Ela dá mais um passo e estende as mãos para mim, transmitindo uma segurança que há muito tempo eu não sentia vindo de uma figura mais velha.
— Eu sou Isabella Moretti, a esposa do Don e... bem, a mãe do Dante. É um prazer enorme finalmente ter você sob o nosso teto, Ely.
Mãe do Dante. A esposa do Don. Meu coração dá uma batida descompassada, mas não de medo, apenas pelo choque de estar diante da matriarca da Cosa Nostra.
— O prazer é meu, senhora Moretti — respondo, encolhendo os ombros de leve.
Isabella n**a com a cabeça, rindo baixinho, e olha significativamente para a porta por onde o filho saiu há pouco tempo.
— Por favor, me chame de Isabella ou Mamma, como todos fazem. E me diga... aquele meu filho turrão não assustou você, não é? Eu o peguei saindo daqui e quase rachei a cabeça dele ao meio. Se ele tiver sido um pervertido ou um bruto, você pode me falar que eu mesma coloco o Dante na linha.
Sinto meu rosto queimar instantaneamente ao me lembrar da rigidez de Dante colada à minha i********e minutos atrás, mas engulo o constrangimento rapidamente para defendê-lo.
— Não! Não, ele não me assustou, eu garanto — respondo depressa, gesticulando com uma das mãos. — Eu... eu tive pesadelos terríveis com o meu passado esta noite. Dante ouviu e veio me ajudar. Ele só ficou aqui para me fazer companhia para que eu conseguisse dormir. Ele foi muito gentil.
Isabella me estuda por um instante, e um brilho cúmplice, quase vitorioso, passa por seus olhos maduros. Ela assente, parecendo satisfeita com a minha resposta.
— Fico feliz em ouvir isso. Aquele menino tem um coração de ouro, embora pareça uma pedra de gelo por fora — ela diz, caminhando até a poltrona e pegando a pilha de tecidos dobrados que havia deixado ali. — Mas chega de conversa por agora. Você precisa se vestir para não adoecer. O inverno aqui é impiedoso.
Ela coloca as roupas sobre a cama e sorri para mim.
— Trouxe algumas peças minhas de frio que acho que vão servir em você. Quero que se agasalhe bem, porque hoje mais tarde você vai sair para fazer compras com o Dante. Você precisa de um guarda-roupa totalmente novo, adequado para a sua nova vida.
Olho para as roupas quentes — blusas de lã grossa, calças confortáveis e meias macias —, sentindo uma gratidão imensa inundar meu peito.
— Agora, ajeite-se com calma — Isabella finaliza, caminhando em direção à porta com um andar elegante. — E depois, desça para a sala de jantar para comer alguma coisa. O café da manhã já está servido e nós estamos esperando por você.
Ela me lança um último sorriso acolhedor e sai, fechando a porta com suavidade. Fico parada no centro do quarto, olhando para as roupas limpas sobre o colchão, com a sensação de que, camada por camada, o frio do meu passado finalmente está começando a derreter.