Capítulo 18

1261 Words
Dante No dia seguinte, eu acordo antes dela. Ely dormia pesadamente, o corpo cansado depois dos inúmeros orgasmos que dei a ela na noite passada para provar que ela é minha e de mais ninguém. Me arrumo para o trabalho, mas antes decido chamar meu pai para uma reunião breve no escritório dele. Quando entro, ele está terminando de beber um café, sorrindo para a minha mãe. — Que circo foi aquele ontem? — pergunto, fechando a porta de madeira maciça atrás de mim com um baque firme que faz a xícara de porcelana na mão do meu pai estalar contra o pires. Ele nem sequer pisca. Coloca o café sobre a mesa com a calma irritante de sempre, enquanto minha mãe desvia o olhar da janela, cruzando os braços com uma expressão que mistura descontentamento e expectativa. — Se você não tomou uma atitude em um mês, Dante, eu mesmo decidi resolver — meu pai responde, a voz grave e rouca, sem um pingo de remorso. Ele se inclina para trás na cadeira de couro. — Eu espero que você se case o mais rápido possível. Já cansei dessa p***a de cadeira e de resolver problemas de território. Quero me aposentar antes de virar um velho gagá que precisa de cuidados. Quero aproveitar o resto da minha vida com a minha esposa, viajando e longe de sangue. Mas para isso, preciso de um herdeiro casado no trono de Don. As regras são claras. Sinto o maxilar travar com tanta força que meus dentes chegam a ranger. — Eu não vou me casar com a Alessia — dito, cada palavra saindo pausada, fria, como uma promessa de morte. — Está completamente fora de cogitação. Esqueça isso. Meu pai apoia os cotovelos na mesa, unindo as pontas dos dedos, e me encara com aquele olhar de quem já previu minha reação desde o início. — E então? Vai se casar com quem? — ele pergunta, arqueando uma sobrancelha. — Obviamente, com a Ely — respondo de imediato, sem hesitar por um único milésimo de segundo. Minha mãe respira fundo ao ouvir o nome dela, mas meu pai continua com a mesma feição impassível de negociante. — E quando, Dante? — o velho rebate, batendo o indicador no tampo de madeira. — Porque você tem exatamente um mês para oficializar um noivado com ela e assinar os papéis. Se não fizer isso, eu não quero saber. Vou arranjar outra noiva da máfia e você vai engolir o casamento por bem ou por m*l para assumir o comando. Tem que ser agora. — Tem que ser a Ely — repito, dando um passo à frente, deixando a aura de Sotto-capo comandar o ambiente. — E por que ela, p***a? — meu pai se exalta um pouco, perdendo a paciência com a minha teimosia. — O que te dá tanta certeza de que ela vai aceitar esse contrato em trinta dias depois de tudo o que viveu? Sopro um riso anasalado, sem humor nenhum, e enfio as mãos nos bolsos da calça social. Olho bem nos olhos do Don da Cosa Nostra antes de soltar a bomba. — Porque eu já tomei ela para mim como mulher. O silêncio que se instala no escritório é tão denso que dá para ouvir o estalar do gelo na janela. A boca do meu pai se abre levemente em choque. Mas a reação mais violenta vem da minha mãe. Mamma dá três passos rápidos na minha direção e, antes que eu possa desviar, sua mão acerta um tapa estalado no meu braço. Não dói, mas o impacto me faz dar um passo atrás pelo susto. — Dante Moretti! — ela praticamente grita, os olhos brilhando de pura indignação e fúria materna. — Você enlouqueceu? Você não deveria ter feito isso! Aquela menina é frágil, passou por traumas terríveis na mão daquele irmão desgraçado e você age como um animal? Meu Deus, deve ter sido horrível para ela ontem! Ela deve ter se sentido usada, pressionada com aquela palhaçada do jantar e depois você... você avança nela desse jeito? Eu dou de ombros, completamente indiferente ao drama dela, sustentando o olhar furioso da minha mãe com a frieza que herdei do meu pai. — Ninguém me consultou antes de colocar a p***a da Alessia na minha mesa de jantar — respondo, a voz cortante. — Eu só fiz o que precisava ser feito para deixar claro o que é meu. E garanto que ela não achou r**m. — Chega, vocês dois — meu pai interrompe, sua voz de Don ecoando como um trovão que corta a discussão no mesmo segundo. Ele ergue a mão, fazendo minha mãe recuar um passo, ainda que ela continue me fuzilando com os olhos. O velho esfrega a testa, soltando um suspiro longo antes de voltar a focar em mim. — Não me importa o que você fez ou deixou de fazer entre quatro paredes, Dante. O que me importa é a p***a do prazo. Um mês. Sinto o sangue ferver nas minhas veias, uma onda de ódio puro subindo pelo meu pescoço. Estou puto de raiva. Puto com o jogo político do meu pai, puto com a intromissão deles e com o fato de que estão tentando ditar as regras com a mulher que eu esperei anos para ter de volta nos meus braços. — Eu vou resolver essa merda — esbravejo, dando um passo violento à frente, batendo com a palma da mão na mesa do escritório. O tampo de madeira maciça estala com o impacto. — Mas eu preciso de tempo para conversar com a Ely. Eu preciso de tempo para convencê-la a assinar a p***a desse contrato sem que ela ache que está sendo usada como uma moeda de troca de novo! Eu não sou o desgraçado do irmão dela. Não vou forçá-la a nada. Meu pai sustenta o meu olhar enfurecido com a mesma calmaria de pedra que faz dele o chefe da Cosa Nostra. Ele não se abala com o meu surto de raiva; apenas se inclina para a frente, apoiando os braços na mesa, seus olhos frios cravando-se nos meus com uma advertência silenciosa. — Então é bom você começar a usar essa sua boca para falar, e não só para o que fez ontem à noite — o velho diz, a voz baixa, fria e extremamente cortante. — Até que tudo seja resolvido, a linha com os Vitali continua aberta. Eu quero que você converse com a Ely e resolva essa situação do noivado até o fim de semana. Sem desculpas, Dante. Traga-me uma resposta concreta ou eu tomarei as rédeas de novo. Eu travo o maxilar com tanta força que sinto um estalo na lateral do meu rosto, os punhos cerrados dentro dos bolsos da calça com o desejo ardente de quebrar alguma coisa. Meu pai se inclina para trás na cadeira de couro de novo, pegando sua caneta-revestida de ouro, e faz um gesto desdenhoso com a mão livre no ar, sem paciência para mais nenhuma palavra minha. — Agora saia. Está dispensado. Vá trabalhar. Olho para ele mais uma vez, sinto o olhar preocupado e ainda irritado da minha mãe nas minhas costas, mas não digo mais nada. Viro-me abruptamente e saio do escritório, batendo a porta com força suficiente para fazer a estrutura tremer. Eu preciso colocar a cabeça no lugar e arrumar um jeito de propor esse casamento para a Ely antes que o meu pai tire a única chance que tenho de mantê-la segura e ao meu lado para sempre.
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