O Protetor!

2117 Words
_ Lucian está preocupado com a situação de Gabriela, até mais que a situação de Lauren, ele, na verdade, não sabe bem o que aconteceu a ela, mas, a situação de Gabriela é muito mais aterradora, ele sabe que algo passa com ela, que é sério, mas, que algo bizarro aconteceu e ele não sente mais a vibração de vida que sentia antes dentro dela, algo que ele não pode nem tentar adivinhar, terá mesmo que descobrir e nada melhor que começar por perguntar a ela mesma o que aconteceu na noite anterior e porque ela não ligou para ele. _ Lucian é um rapaz muito interessado, ele cresceu num bairro pequeno, tão afastado da cidade que quase não se misturava com as outras crianças, ele apenas estudou em casa, a sua mãe dava-lhe aulas atéseu falecimento, ele aprendeu tudo o que sabia até a sua pré-adolescência, quando foi enfim enviado para a escola, onde ele conheceu Gabriela, e dali surgiu uma amizade entre eles. Gabriela conheceu a mãe de Lucian, antes que a mesma falecera, assim o seu pai, cuidou do menino sozinho. Estranhamente Lucian mudava muito rapidamente, cada vez que ele crescia começava a perceber que o seu corpo estava totalmente diferente do que de costume, como se a sua infância fosse o mínimo que poderia ter, ele passou de menino para homem, nem ao menos pela adolescência ele passou, isso o assustou de uma tal maneira que começou a levantar suspeitas no bairro em que vivia, então o seu pai teve que levá-lo para longe, pelo menos até que ele pudesse estar entre as outras pessoas sem levantar suspeitas do que lhe acontecia. Para Lucian foi uma dor muito grande ter que deixar Gabriela sozinha, mas, foi extremamente necessário, pois o que ele tinha que saber, também o assustaria, ainda mais pelo que estava prestes a descobrir. - Pai, por que temos que ir embora? _ Ele perguntou no caminho para a floresta, observando triste as árvores que passavam por ele. - Porque é necessário, mas, não me faça mais perguntas, meu filho, logo você saberá. _ Eles seguem o caminho em silêncio, Lucian como sempre obediente não questiona as ordens do pai, ele sabe que sempre há uma boa explicação, não gosta de confrontar e foi-lhe passado que nunca se deve enfrentar ou questionar as decisões dos mais velhos, pois eles sabem o que é melhor para os mais jovens. Ao chegar finalmente ao local que o seu pai havia mencionado antes mesmo de ele perguntar-lhe, o pai de Lucian o chama para uma cabana grande, ele vai sem questionar, mas apreensivo. _ O pai de Lucian o leva pela mão para dentro da cabana, ao passar pela porta ele pode ver sentado numa poltrona um velho, próximo à lareira, ele levanta o rosto e Lucian ouve o senhor chamar o seu pai e levantar para abraçá-lo. - Roman, aproxime-se, meu filho! _ Roman abre um grande sorriso e vai ao encontro do velho, ele abraça-o e chama-o pai, e parado ali, no meio da sala está Lucian, sem saber quem é o homem, mas, acabara de descobrir um avô de quem nunca nem ouviu falar! Com cara de espanto, ele tosse, de modo a chamar atenção dos homens para si. - Oh! Esse deve ser o meu neto não? _ Pergunta o velho se dirigindo à Lucian, ele é enorme e tem uma aura que esquenta o ambiente, uma aura calorosa e acolhedora e isso faz com que Lucian se sinta bem recebido e acolhido. O senhor o mira com carinho, com ternura e instinto protetor, ele sente e se deixa abraçar por seu avô que a pouco conheceu. - Vem aqui, meu menino, eu sou o seu avô, Ramon, sou o pai do seu pai Roman. _ Diz o velho, chamando-o e com todo o amor que cabe no seu peito, e era como se ele o conhecesse há muito tempo, como se ele verdadeiramente soubesse da sua existência, então, Lucian o abraça de volta, com todo o carinho e acolhimento. - Vovô, como está o senhor? Por que nestes anos todos só o vejo agora? _ O avô sorri, ele toca o ombro do seu neto e feliz responde a esta pergunta curiosa. - Filho, chegou a hora, por estes dias você receberá a sua maior honra e também, sua maior responsabilidade! _ Ele não permite que Lucian responda, assim pede para que ele fique em silêncio e manda que o seu pai o leve para o quarto que lhe foi preparado na cabana, e não é apenas uma cabaninha qualquer, é uma verdadeira casa na floresta, mas, não é rústica apenas e sim tem um estilo e algo mais estranho, muitos lobos ao redor, como se fossem uma forma de proteção e alerta, não cachorros, mas, lobos. Após ser levado ao seu quarto, Lucian deita-se, ele recosta-se no travesseiro e assim que fecha os olhos os seus pensamentos voam para onde ele mais deseja ir, para perto de Gabriela. - Como ela estará? O que estará fazendo? Sinto tanta saudade! _ O grato parece estar a sentir algo muito maior do que ele mesmo queria, mas, sempre soube do fundo do seu coração que a queria, mais que como amiga. A lua está linda do lado de fora e como está na floresta, se vê bem melhor do que na cidade, assim ele encantado para em frente a janela e começa a admirá-la, mas, começa a sentir que algo está diferente dentro dele, sente que alguma coisa está errada, já que ele sente as suas veias ferverem e logo em seguida tudo escurece! No dia seguinte, ele acorda no meio da floresta, não sabe como foi parar ali e tampouco como ficou sem as suas roupas, ele se pergunta se foi sequestrado ou se algo errado aconteceu-lhe. Logo ele percebe que nunca esteve ali e que não sabe voltar para a cabana, então desnorteado, ele começa a gritar, pedindo socorro, andando perdido por entre as árvores. - Ora, o que temos aqui? Um belo rapaz, de belos "olhos", está perdido? _ Ele volta-se para as árvores, olha atentamente procurando pela voz desconhecida, mas, não importa por onde procure, ele não sabe onde está a pessoa que o observa. - Quem é você? Onde está? Pode ajudar-me por favor? _ Ele ouve uma risada marota, sabe que a pessoa que o observa é uma garota, que ela se diverte com a cena e que provavelmente não irá ajudá-lo a vestir-se, mas, que convenientemente se diverte em vê-lo perdido. Desesperado ele pede para que a pessoa apareça, que lhe ajude. - Por favor, eu não sou daqui, mas, se você me ajudar peço para que o meu avô Ramon dê-lhe uma ajuda... - Como? Ramon é o seu avô? _ Pergunta a moça espantada. - Eu não sabia que o Alfa tinha um neto, ainda mais que ele gostava de nudismo na frente de garotas, pior ainda, no meio da floresta sagrada! - Floresta sagrada? _ Pergunta ele com espanto, assim a garota pula de uma imensa árvore, ela ri alto e o observa cobrir-se com as mãos, mas, não alcança muita coisa, já que partes exuberantes do seu corpo ainda estão a mostra. - Aqui é a nossa floresta sagrada, aqui realizamos as nossas orações aos Deuses da floresta, eles que cuidam e protegem a nossa comunidade. Mas, diga-me, qual o seu nome? _ Ele exita em dizer, mas, acaba por falar, pois precisa que ela diga onde ele está ou o leve de volta para casa, com roupas é claro. Assim a menina o olha com atenção, claro que ela conhece o velho Ramon, ele é o chefe da tribo em que ela também reside sendo avisado a todos sobre a chegada do rapaz, do seu neto que viria para ascender para uma nova vida, a vida dos lobos. Agora, a moça o pega pela mão, para levá-lo de volta a aldeia, ele sem entender e com cara de preocupação, apenas pergunta o porquê do silêncio repentino da moça, claro que ele não entendeu nada, mas, a seguiu, sem obter nenhuma resposta. _ Ao chegar na vila, que não é nada pequena e tampouco atrasada no tempo, ele nota o que não havia visto pela noite, uma grande cidade em madeiras e grandes casas numa comunidade que nada se parece com uma civilização, mas que ao se olhar atentamente vê-se que tem muito mais a apresentar do que apenas árvores, ele também vê que os lobos andam livremente entre os humanos ali, que não há hostilidade, também não há coleiras, até que ao passar por um em especial, este o observa e mostra-lhe os dentes, rosnando-lhe, e com olhos como chamas, demonstrando o seu total descontentamento em vê-lo ali. - Calma Axel! _ Diz a garota ainda segurando a mão de Lucian. - Não tem porque ser hostil com o nosso futuro Alfa! Este é o Lucian, que o velho Ramon nos falou. _ Assim o lobo a frente deles, mesmo com total descontentamento e desconfiança, desaparece dali, correndo para o centro da floresta, fugindo e uivando, como se estivesse com ira dentro de sí. - Como pode um lobo ser tão grande? _ Se espanta Lucian, ele olha para a garota, esperando que ela o responda com uma feição de medo e surpresa, realmente ele não sabe o que eles são e provavelmente o que lhe aconteceu, foi a primeira vez, ela vê nos seus olhos que ele deve saber a verdade, mas, não pode ser ela a contar-lhe. - Lucian, eu não devo responder esta pergunta, não estou autorizada, ou posso sofrer as consequências. _ Responde-lhe, pedindo com o olhar para que ele não a pressione mais. - Vamos, o nosso chefe pediu para que o encontrasse e o levasse a ele, é o que farei. _ Ele cala-se e a segue, com muito respeito eles entram no grande salão, ali o espera o seu pai Roman e o seu avô, ela curva-se e retira-se dali, deixando-o para receber as devidas explicações. - Filho, vejo que já descobriu o que você realmente é! _ Diz o seu pai, olhando-lhe com surpresa e esperando uma resposta de confirmação, mas, não é o que acontece. - Como assim o que sou? O que sou pai? O que somos? _ Ramon fita o seu neto, ele sabe que a cabeça do menino está confusa, que ele não se lembra do que lhe passou a noite, pois sempre as primeiras transformações são fortes demais para que a mente crie lembranças consistentes, assim ele toma a frente e responde às perguntas do seu neto. - Filho, nós somos lobos, lobisomens, como dizem os mortais. _ Diz-lhe Ramon, esperando uma resposta assustada, ou que ele saia correndo, mas, o menino se mantém calmo. - Aquela garota, é um lobo também? - Sim, ela é a filha do nosso amigo mais próximo, chefe de treino de caça dos pequenos lobinhos. _ Responde o velho Ramon, assim questionando-se sobre a reação quase nula do seu neto ao saber o que é de verdade e a sua origem. Lucian apenas se retira, voltando para a casa do seu avô, curiosamente, a maior casa da cidade, esta que chamam vila dos lobos, mas, em nada se parece com uma. Ele entra e vai para o banheiro, após se banhar, ele sai e dá de cara com um rapaz, em seu quarto. - Então você é o meu primo Lucian? _ Pergunta-lhe, com um olhar ardente como as chamas, é como se Lucian já o houvesse visto, mas, não sabe de onde. - Perdão, nos conhecemos? _ Pergunta Lucian, duvidoso das intenções do seu então, primo recém-apresentado. - Nos conhecemos logo cedo, você estava com a minha prometida! E não quero que você chegue perto dela novamente, não o quero tocando-a com as suas mãos de rapaz da cidade, nem lobo você é! _ Lucian lembra-se de encontrar um lobo, que o mirava assim como o seu então primo. - A garota então é sua "prometida"? Desculpe, mas, eu acabara de conhecê-la no momento em que o vi lá fora, não precisa se preocupar, ela apenas me trouxe de volta. Não sabia onde estava. _ Lucian lhe explica o que passou pela manhã, ele em verdade não a conhecia, ele é tão novo naquele lugar como em conhecer pessoas por lá, assim, o rapaz desfaz a cara de preocupação e desconfiança, mas, não esboça nenhum sorriso ou algo do tipo, apenas lhe dá as "Boas-vindas" e sai do quarto, deixando Lucian ainda mais preocupado com a sua chegada repentina a uma vida que ele nunca soube que tinha...
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