Lobão narrando Saí pra rua e segui até a boca. No caminho, fiquei pensando na expressão dela ontem, quando tentou sair na surdina. O olhar de quem mede cada passo, esperando uma chance. Eu tô ligado. Gente assim, se não segurar na rédea, é questão de tempo pra sumir. Cheguei na boca, o movimento tava normal. Molecada nos cantos, outros circulando, cada um na sua função. Chamei o informante, que já veio rápido, sabe que eu não gosto de espera. Lobão: E aí, qual a boa? Informante: Peguei a ficha que cê pediu. Ele tirou um papel dobrado do bolso e me passou. Abri e comecei a ler. O sangue gelou na hora. Lobão: Caralh0. A filha do policial, É a loirona? Lorraine? Informante: Ela mesma. Na hora, a frieza subiu. Esse tipo de informação vale ouro. Eu já comecei a calcular tudo na cabeça.

