Restaurante

1795 Words
Robert M. Beach P.O.V Sábado de manhã e meu despertador tocou, estava absurdamente exausto pelo dia anterior, pois tive treino em dose dupla para conseguir me preparar bem para o torneio que ia ter em breve. Amo estar na piscina, mas não gosto tanto do efeito que a água deixa no meu corpo no dia seguinte de treino. Entretanto, não podia reclamar e precisava levantar rápido, tomar banho e preparar o café antes de ir para o posto de combustível, onde eu trabalhava alguns fins de semana. Naquele dia em específico, deveria estar de folga, mas o outro cara que trabalha lá estava doente e não pôde ir. Estava irritado que toda semana onde tinha um evento na cidade ou próximo, ele ficava "doente" e voltava depois, sem precisar tomar remédio ou qualquer coisa do tipo. - Bom dia meu querido, quase perdeu hora hoje, né? - minha mãe, senhora Jennifer Beach estava caminhando lentamente até a cozinha - Mamãe, eu disse que levaria seu café até a cama, não precisava vir até aqui. - disse ajudando-a a se sentar em um dos bancos - Você sabe que eu não gosto de te dar trabalho filho, e o médico recomendou que eu tentasse andar um pouquinho que faria bem para a minha coluna e minhas pernas. - ela deu um beijo no topo da minha cabeça - Tudo bem, mas não se esforce tanto, ok? O almoço está pronto e a Janeth vai passar aqui para preparar seu prato, não quero a senhorita inventando de fazer isso sozinha, tá bom? - acariciei o rosto de minha mãe, lhe dando um beijo na bochecha e voltando a tomar meu café - Pode deixar, não vou me esforçar muito. Agora, passe meu café para cá, quero tomar uma xícara antes dos remédios. - ela pediu, entreguei para ela a xícara e a cafeteira - Agora eu preciso ir mamãe, se não eu acabo me atrasando e não quero bronca de novo. Sua muleta está aqui ao lado, use ela para ir até o sofá ou a cama, como preferir. Te amo e até mais tarde. - digo e saio correndo dali, com a mochila nas costas e as chaves na mão Minha moto ficava em frente a casa que morávamos, tirei o capacete que estava preso ali e segui caminho para o posto. Na cabeça eu cantarolava uma música do Blackbear, creio que o nome é Do Re Mi. Foi a música que eu mais ouvi quando terminei meu relacionamento e me mudei do Tennessee para cá. Cheguei na loja de conveniência, abri e fui organizar as coisas para trabalhar. O posto não tinha tanto movimento assim, mas como tinham casas de campo e trajetos de viagens que passavam por ele, muitas pessoas paravam ali para comer, usar o banheiro e abastecer. - Bom dia garotão, como você está hoje? - digo acariciando o pêlo de Lean, o gato siamês que pertencia ao dono - Daqui a pouco te dou um petisco, preciso arrumar isso aqui garoto. Parecia bobo, mas eu sempre “conversava” com Lean e ele parecia entender, pois ele apenas se sentou no balcão e ficou me olhando terminar de organizar as coisas antes de virar a placa para “Aberto” na porta da loja. Como costumava ser, o dia foi bastante tranquilo e com poucos atendimentos, nenhum para abastecer até o momento. Então, quando eu vi um carro parando ao lado da bomba, observei de longe e vejo um homem de altura aparentemente mediana descendo um pouco irritado e indo até a mangueira para colocar no carro. A mulher que estava com ele no banco do passageiro desceu, eles pareciam ter uma pequena discussão, mas não era do meu interesse. Voltei a atenção a revista de esportes que estava lendo e ouvi o sino da porta. De perto, ela parecia um pouco abalada e com semblante triste, mas aquilo não apagava a beleza que ela tinha e um poder que exalava quando ela estava no ambiente. Poderia estar delirando e tudo ser coisa da minha cabeça, afinal, eu não sei o que é observar uma mulher com admiração por um bom tempo. Ela pegou tudo que precisava e caminhou até o balcão, Lean desceu e ficou na cadeira que eu estava sentado, me obrigando a levantar. Quando ela se aproximou, pude jurar que sentir meu joelho fraquejar, mas poderia ser pelo esforço do treino no dia anterior. - Me desculpe a intromissão Sra., mas está sujo de batom. - disse olhando para os seus lábios e fazendo sinal onde estava - Oh meu deus, eu nem percebi. Obrigada. - ela me olhou envergonhada, pegando um pequeno espelho na bolsa e corrigindo. Enquanto isso, fiquei apenas olhando para ela por breve segundos, até Lean miar e me fazer sair do transe antes que ela percebesse - Quanto ficou? - ela perguntou me olhando com um sorriso gentil no rosto - Ficou 25 dólares com a gasolina. - respondi rapidamente olhando para a tela do computador em minha frente. Notei que ela ficou me encarando por breve segundos, o que me deixou levemente desconfortavél, me fazendo olhar para fora da janela - Robert. - ela disse em um tom baixo, mas o suficiente para eu ouvir ela pronunciando meu nome, por alguns segundos travei. Como ela sabia meu nome? Logo lembrei que estava na camisa que usava - Sim, a Sra precisa de algo? - perguntei prontamente, olhando para ela que me encarava de volta - Ah não, me desculpe. Aqui está - ela abriu a carteira, pegando o dinheiro ali e colocando no balcão para que eu pegasse - É seu marido? Ele parece estressado e parecia irritado com você, quer que eu chame a polícia? - perguntei rapidamente, olhando para fora e notando que o homem que estava com ela, estava irritado - Não, está tudo bem, agradeço a gentileza. Foi um prazer conhecê-lo, Robert. - ela respondeu no mesmo momento, com um sorriso fraco antes de pegar sua sacola e sair dali Não deu nem tempo de perguntar seu nome ou retribuir que também tinha sido um prazer conhecê-la. Lean miou novamente e me fez parar de olhar para a janela, mas nossos olhares se cruzaram um último momento antes dela entrar no carro e partir. O meu expediente acabou no meio da tarde, iria aproveitar o momento para sair com alguns colegas da faculdade e que tinham me chamado para beber com eles naquela tarde. Estava um tanto cansado, mas ainda sim não recusei. Precisava sair, me distrair um pouco e aproveitar alguns momentos de lazer entre os intervalos de estudo, trabalho e cuidado com a minha mãe. Antes de ir, liguei para a casa e avisei a Janeth sobre chegar mais tarde e ela me tranquilizou dizendo que minha mãe estava bem e elas estavam vendo um filme que mamãe a “obrigou” assistir. - Olha só quem chegou. Conseguiu um espacinho na sua agenda para ficar com os amigos, não é mesmo? - Tom me abraçou de lado, segurando o skate em sua outra mão - Cara, como você é dramático. - sorri, retribuindo o abraço com um tapinha nas costas - E ai rapaziada, o nosso atleta está na área. - Freddie, ou melhor, Fred disse saindo da pista em minha direção - Muito engraçado que vocês falam como se não fossem atletas também. - comentei abraçando Fred - Você é o único que almeja carreira aqui amigo, sabe que se depender do Fred, nós passamos os dias nessa pista de skate fumando maconha e se embriagando sem parar. - Tom comentou me puxando para perto de onde outros dois amigos estavam - Você é o equilíbrio do nosso grupo, por isso não podemos ficar sem você. Diferente dos meninos, eu não fumava com eles e raramente bebia, já que sempre pensei em tomar cuidado para ir embora. Nossos outros amigos estavam ali, Paul e Charles Morgan. Ambos eram irmãos e atletas em modalidades diferentes. Paul e Tom eram meus companheiros na natação, já Charles e Fred lutavam. Todos os meus amigos tem dinheiro o bastante para pagar qualquer faculdade do país, mas eram bolsistas como eu, pois seus pais não queriam que fossem “a toas”, como eles mesmo dizem - E as novidades? Quem você está pegando? Soube que uma caloura da natação estava de olho em você. - Fred comentou rindo, deitado na pista que estava vazia naquele horário - Vocês sabem que a minha vida é trabalhar, estudar, treinar e cuidar da minha mãe. - respondi antes de beber mais um pouco da garrafa que Charles tinha - Mas hoje eu conheci uma mulher muito bonita. - Olha só, temos um garanhão entre nós. - Tom zoou bagunçando meu cabelo - Não cara, ela é casada. - comentei um pouco desapontado e só percebi depois - Ai não cara, mulher casada é barra. - Paul deu um tapinha no meu ombro, me devolvendo a garrafa Ficamos ali mais ou menos uma hora e meia conversando sobre diversas coisas, até que decidi ir para casa quando recebi uma mensagem de um restaurante que estava esperando resposta para uma vaga de trabalho fixa. “Olá Robert M. Beach, Esperamos você amanhã no restaurante, às 9 da manhã para um teste. Irá receber pelo dia trabalhado, apenas queremos avaliar seu desempenho com a casa cheia. Roupas lisas e de preferencia, camisa social e calça preta. Caso não tenha, chegar mais cedo para que possamos providenciar. Atenciosamente, gerência” Aquela era a proposta que eu esperava, estava feliz com a notícia e queria ir para casa descansar, me recompor para a manhã seguinte. Até mesmo recusei a proposta dos garotos de ir para uma lanchonete perto dali, fui direto para casa. Alimentado e de banho tomado, coloquei o celular para carregar e me deitei, apenas esperando conseguir dormir com toda aquela ansiedade. Não sei por qual motivo, lembrei da mulher que atendi mais cedo na loja de conveniencia do posto, a que estava com o marido. Foi como um calmante, no mesmo momento me senti mais tranquilo e só percebi que tinha enfim pegado no sono, quando acordei na manhã seguinte. - Vamos lá Rob, nada de errado hoje e está vaga já é sua. - disse para mim mesmo no espelho do banheiro, tentando me passar a confiança que precisava naquele momento - Filho, não demore ou não vai conseguir tomar café antes de sair. - mamãe bateu na porta do meu quarto e percebi que precisava me apressar logo - Já é seu, acalme e não se desespere. - disse novamente para mim mesmo, enquanto colocava a camisa para dentro da calça - Hoje teremos um ótimo dia, eu sinto isso.
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