Episódio 2

1708 Words
Sim, senhores! Finalmente havia chegado! Hoje começava meu primeiro dia no meu último ano do ensino médio. Sim, senhores, no ano que vem minha vida daria uma reviravolta de 180°. Embora, para ser honesta, eu não estivesse animada por ir começar a universidade, nem nada disso. Mas eu achava que precisava mudar de ares, conhecer gente nova, viver outras experiências e aquelas coisas que te diziam que aconteciam quando você ia para a universidade. Levantei-me um pouco sonolenta para ir ao banheiro tomar um banho e tirar aquele espírito de férias de mim. Ao terminar de me arrumar, desci para tomar meu café da manhã e poder ir para a escola. Quando cheguei à nossa pequena cozinha, encontrei minha irmã, que tinha olheiras que poderiam ser comparadas aos círculos negros de um guaxinim, fazendo café. — De novo você ficou estudando? Perguntei enquanto via como ela fazia o possível para não cair no chão de sono. — Mmh. Afirmou balbuciando enquanto me olhava através de suas pálpebras caídas. — Que horas são? Perguntou, arrastando as palavras. —Já é quase sete horas. — Dentro de quatro horas tenho o exame. Ainda há tempo, só me falta um tema. — Dormiu alguma coisa? Perguntei divertida por seu afã de continuar estudando. — A cada duas horas eu me deitava na cama e dormia quinze minutos. Li que, se você dormir apenas quinze minutos, relaxa mais do que se dormir uma hora. Asseguro com um sorriso. As estratégias de estudo da minha irmã me surpreendiam cada dia mais. —Ana, você parece um zumbi. Você vai acabar dormindo na prova. —Não importa, tudo vale para passar. Disse enquanto saía da cozinha com sua xícara de café. — Ah, é verdade, aproveite este último ano, porque depois você não vai saber o que é vida. Me aconselhou no limiar que separava a cozinha da sala. Depois de tomar o café da manhã, segui a caminho da escola. Ao chegar à minha nova sala, notei que era a primeira, pois as luzes estavam apagadas e não se ouvia nem o zumbido de uma mosca. Procurei o interruptor às cegas e, ao acendê-lo, percebi que não estava tão sozinha quanto pensava. No fundo da sala, uma cabeça de cabelos ne*gros estava encostada na carteira. Não precisei me aproximar para saber quem era. Notei que ele levantou a vista para ver quem havia chegado, ao ver que era eu, pegou sua jaqueta e a colocou sobre a cabeça para voltar à escuridão. Sentei-me no lugar onde costumo estar com minhas amigas e deitei-me um pouco à espera que mais gente chegasse, mas sem perceber acabei adormecendo ali. — Hope. Chamou uma voz familiar enquanto me tocava no ombro. Levantei a cabeça e pude ver os olhos castanhos escuros da minha amiga Aldana. — Olá. Respondi enquanto beijava sua bochecha em sinal de cumprimento. — Tudo bem? Perguntei ainda um pouco sonolenta. — Sim, tudo lindo até que vi certo colega m*al-educado. Disse em voz alta para que esse certo colega m*al-educado a ouvisse. Olhei para onde estava Marco, que agora estava sentado olhando para o celular. Mas este nem se importou com as palavras da minha amiga. —Aldu, vamos ao banheiro. Disse a ela, levantando-me da cadeira e pegando-a pelo braço. Já no banheiro, lavei o rosto para delinear os olhos em frente ao espelho, enquanto conversava com Aldana. —Finalmente vai acabar isso e vou parar de ver aquele id*iota. Disse com alívio, apoiada nas pias. —Deixe estar. Desde que o conhecemos, ele é assim. Além disso, ele não incomoda ninguém. Comentei enquanto prestava atenção para que o delineado não saísse do contorno do meu olho. — Me incomoda que me ignorem. Ela replicou, irritada. — E você, por acaso, gosta? —Não é como se eu goste. Mas a verdade é que, como não ando com ele, não me importa. Disse sem dar importância. A verdade é que o que aconteceria com aquele garoto tanto fazia para mim, devido ao nosso relacionamento nulo. — Mas a mim, infelizmente, sim. Aldana namorava David, um amigo do nosso detestável colega, desde que começamos o ensino médio. David e Marco eram amigos desde o jardim. Então eles se conhecem muito bem e têm uma amizade muito sólida. Por isso, Aldana tem que compartilhar com ele os aniversários do namorado, os dias em que faziam treinos de futebol e inúmeros momentos em que minha amiga passava com a simpatia em pessoa. —Falando daquele idi*ota, sabe que ele arrumou namorado? — Sério? Com quem? Perguntei surpresa. Durante o tempo que passei com o Marco, nunca ouvi falar que ele tivesse namorado. — Com Luís do primeiro ano. Parece que passaram as férias de verão juntos. Ela respondeu. — Então, finalmente conseguiu. Boa sorte para o Luís. — Sim, notei que ele estava interessado nele. Vi ele várias vezes nos treinos de futebol olhando para o Marco. A verdade, quando o David me contou, a única coisa que pensei foi no mau gosto do Luís. — Luís é engraçado. Um dia nos encontramos no ônibus e ele me fez rir com suas histórias. Comentei, lembrando do momento. Luís era a alma das festas e estava sempre rodeado de amigos, tanto homens quanto mulheres. Era o típico gay afeminado que zomba de sua condição. Bastante diferente de Marco. — Tenho pena dele, o pobre Luís. Preferiria morrer sozinha a andar com alguém assim. Disse dramaticamente. —Veja o lado positivo. Se o Marco estiver com o Luís, não vai mais passar tanto tempo com o David e os outros. —Sim, e vou aproveitar muito. O sacrifício de Luís não será em vão. Ela comentou divertida. Nossa conversa foi interrompida quando a porta do banheiro se abriu estridentemente. Nós duas olhamos para ela, encontrando uma garota baixinha que, ao nos ver, nos deu um sorriso. —De que sacrifício você está falando? Ela perguntou enquanto nos cumprimentava com um beijo na bochecha. Daniela fazia parte do meu grupo de amigas. Era baixinha, um pouco gordinha, com cabelos dourados e olhos azuis. — Do sacrifício do bom do Luís. Comentei, depois de ter terminado meu delineado. —Ah sim, eu vi. Agora ela está com o Marco. Os dois estavam na sala quando cheguei. Luis me cumprimentou e bem... Marco, fiel ao seu estilo, me ignorou. O Luis não gostou que eu fizesse isso e começou a brigar com ele na minha frente. Então eu disse a ele que não tinha problema, já estávamos acostumadas ao bom tratamento. E sai. —Aquele idi*ota nunca vai mudar. Assegurou Aldana com raiva. — Estavam românticos? Perguntei curiosa. Nunca tinha visto o Marco carinhoso com outro rapaz. Aliás, se eu não o conhecesse, jamais me passaria pela minha cabeça que ele fosse gay. —A verdade é que não. Eles só estavam conversando. Vi que o Luis pegou na mão dele, mas ele parecia um pouco desconfortável. —Talvez ele tenha vergonha de se mostrar assim. Supus. Marco não era um garoto que demonstrasse muito suas emoções. Bem, isso era o que eu sempre tinha visto. — Bom, não importa. Adivinhem o quê. Disse Daniela emocionada. Tanto Aldana quanto eu a olhamos com curiosidade, esperando que ela nos desse a notícia, que parecia ansiosa para nos dar. — Anunciaram o show do CNCO. Ela comentou eufórica. — Você vai me acompanhar, né, Hope? — Claro. Respondi divertida. Sinceramente, eu não era fã com todas as letras, mas costumava acompanhar a Daniela em todos os shows. Dani sempre foi fã de todos os grupos da moda desde que a conheci. Primeiro Justin, depois One Direction e agora a novidade do momento CNCO. Dani era a típica adolescente que consome ídolos de fantasia e os transforma em semideuses. Até faz fanfic sobre eles. — E se começarem a ouvir Soda Stereo, Los Redondos. Se você quiser algo internacional, os Beatles. Sempre consumindo bobagens. Disse Aldana com desaprovação. —Porque a maioria está morta ou velha. Além disso... Acrescentou. — Meus bebês são lindos. Respondeu Dani orgulhosa. Isso fez Aldana e eu rirmos. Dani sempre defendia seus ídolos com unhas e dentes. Então já estávamos acostumadas. A porta do banheiro abriu-se novamente e entrou uma garota morena de cabelo curto, que reconhecemos rapidamente. — Estão aqui! Apressem-se que o coordenador já chegou para fazer a chamada. Comunicou enquanto voltava sobre seus passos. Todas saímos e cumprimentamos Micaela, que tinha as mesmas olheiras da minha irmã. — O que aconteceu com você? Perguntei divertida enquanto caminhávamos para a sala, embora eu soubesse qual era o motivo de sua insônia. — Finalmente terminei as 50 sombras de Grey. Respondeu, orgulhosa do que fez. Ao chegar na sala, as pessoas já estavam em seus lugares, dando presente a um idoso que estava sentado na mesa do professor anotando em sua lista. Fomos sentar em nossos respectivos lugares, esperando ser chamadas pelo homem. Ao terminar, o idoso se apresentou com o nome de José, começou a nos dizer quais seriam nossos horários deste ano e os professores de cada uma das matérias que teríamos. Infelizmente, a maioria eram matérias de contabilidade, já que minha escola tinha essa orientação. Quando terminou de comunicar tudo o que considerava imprescindível, ele se retirou e todos começamos a cumprimentar quem não tínhamos cumprimentado antes. Pareceu-me divertido vê-lo tão ofuscado, que não percebi que estavam me cumprimentando. — Esperança... Alguém atrás de mim me chamou. Girei a cabeça na direção de onde me falavam. Dando com uns olhos claros que me olhavam com um sorriso. —Olá, como você está, Andy? Cumprimentei ele com um beijo na bochecha. — Bem, você vai para o treino de futebol depois da escola? Perguntou-me interessado. Ai que saco. Este garoto não entende. —Não. Acho que não. Combinei de almoçar com minha avó. Respondi, acabando assim com suas esperanças de passar a tarde comigo. Nossa conversa foi interrompida de repente por Marco, que passou entre nós dois sem pedir permissão, empurrando Andy. Ambos o olhamos com raiva por seu mau comportamento, enquanto ele se perdia pela porta da sala. — Felizmente, este é o último ano que tenho que passar com aquele id*iota. Comentou Andy, irritado. As aulas passaram sem mais novidades.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD