Marcela Narrando Eu tento. Juro que tento. Levo a colher até a boca, mas o cheiro da comida parece forte demais. Meu estômago se revira imediatamente, e preciso respirar fundo antes de conseguir engolir. Duas colheres. É tudo o que consigo. Coloco a colher no prato e empurro a comida para longe. — Não consigo mais. Carrasco está do outro lado da cozinha, encostado perto da bancada, me observando em silêncio. Ele não diz nada por alguns segundos. Só olha para o prato. Depois para mim. E eu consigo perceber que alguma coisa mudou no rosto dele. Não é raiva. Não é aquela expressão fria que ele usa quando está me interrogando. É preocupação. Uma preocupação que ele tenta esconder tão m*l que chega a me incomodar. — Você comeu duas colheres. — Eu sei. — Isso não é comer. —

