Alguns dias se passaram desde que o tratamento de Rute começou. Os médicos estavam otimistas, e isso já era suficiente para dar a Agatha um pouco de paz depois de tantas semanas de desespero.
Naquela tarde, Douglas a convidou para ir até sua mansão. Ele dizia que precisava conversar com ela sobre alguns documentos do hospital e também queria que ela descansasse um pouco.
Agatha entrou na casa imensa com um pouco de timidez. Mesmo já tendo estado ali antes, tudo ainda parecia grande demais para ela.
— Pode se sentir à vontade — disse Douglas, tirando o paletó e colocando sobre o sofá. — Essa casa também é sua quando estiver comigo.
Agatha sorriu de leve, caminhando até a grande janela da sala que dava vista para o jardim iluminado pelo pôr do sol.
— Ainda é estranho pra mim… — ela disse baixinho. — Às vezes parece que estou vivendo outra vida.
Douglas se aproximou devagar, parando ao lado dela.
— Talvez esteja mesmo — respondeu ele.
Por alguns segundos, os dois ficaram em silêncio. O clima no ambiente mudou lentamente. A proximidade, o olhar intenso de Douglas e a forma como ele a observava faziam o coração de Agatha bater mais rápido.
— O que foi? — ele perguntou com um leve sorriso ao perceber que ela estava nervosa.
— Nada… — ela respondeu, mas sua voz saiu mais baixa do que pretendia.
Douglas levantou a mão devagar e tocou o rosto dela com cuidado, como se quisesse ter certeza de que ela estava ali de verdade.
Agatha levantou os olhos para ele.
O olhar dos dois se encontrou.
Dessa vez não havia desespero, nem acordos, nem vergonha. Apenas uma atração que já não podia mais ser ignorada.
Douglas se inclinou lentamente e a beijou.
Agatha correspondeu.
O beijo começou suave, cheio de hesitação, mas logo se transformou em algo mais intenso, carregado de sentimento e desejo. Ela passou os braços ao redor dele, e Douglas a puxou para mais perto.
Era diferente da primeira vez.
Agora havia algo mais profundo entre eles.
A noite caiu lá fora enquanto os dois permaneciam juntos, deixando que aquele momento os aproximasse novamente.
Naquela noite, eles não estavam ali por necessidade ou desespero.
Estavam ali porque queriam.
Os dias continuaram passando, e algo dentro de Douglas estava mudando de uma forma que ele não esperava.
No começo, ele acreditava que estava apenas ajudando Agatha por causa da situação difícil dela. Depois, pensou que era apenas atração. Mas agora… era diferente.
Ele pensava nela o tempo todo.
Quando estava no escritório, entre reuniões e contratos milionários, a imagem do sorriso tímido dela aparecia em sua mente. Quando chegava em casa, sentia falta da presença dela caminhando pelos corredores da mansão.
E isso era algo completamente novo para ele.
Douglas sempre foi um homem controlado, acostumado a manter distância das pessoas. Relacionamentos nunca foram prioridade em sua vida. Mas com Agatha era impossível manter essa barreira.
Naquela tarde, ele estava sentado em seu escritório quando pegou o celular quase sem perceber e ligou para ela.
— Alô… — a voz de Agatha soou suave do outro lado.
— Como sua mãe está hoje? — perguntou Douglas.
— Melhor… os médicos disseram que o tratamento está começando a fazer efeito — ela respondeu, e ele conseguiu ouvir o alívio na voz dela.
Douglas se recostou na cadeira, sentindo uma sensação de paz ao ouvir aquilo.
— Fico feliz.
Houve um pequeno silêncio.
— Você está trabalhando muito hoje? — Agatha perguntou.
Douglas sorriu sozinho.
— Estou… mas acho que preciso de uma pausa.
— Uma pausa?
— Sim… — ele respondeu calmamente. — Pensei em passar aí mais tarde para ver vocês.
Do outro lado da linha, Agatha ficou quieta por um momento.
— Você não precisa fazer isso… já fez tanto por nós.
Douglas respondeu imediatamente:
— Eu sei.
Outro silêncio breve.
Então ele falou, com sinceridade:
— Eu faço porque quero, Agatha.
E pela primeira vez ele percebeu algo claro dentro de si.
Não era mais apenas preocupação.
Não era apenas atração.
Douglas estava cada vez mais apegado a ela.
E quanto mais tempo passava ao lado daquela garota simples, forte e gentil… mais ele percebia que não queria mais ficar longe.