– A Noite que Mudou Tudo

808 Words
A chuva caía em fios finos, gelados, quando Agatha saiu da lanchonete. Já passava das 23h, e o cansaço das duas semanas de trabalho acumuladas pesava em cada passo. O gerente, finalmente, tinha ultrapassado todos os limites: tinha dado em cima dela e, quando Agatha se defendeu, ele a demitiu. Com o coração acelerado, ela caminhava pelas ruas escuras, tentando se acalmar. Foi quando passou por um beco estreito, iluminado apenas por um poste quebrado. Dois homens fumavam ali, com olhares que queimavam de forma ameaçadora. Um deles deu um passo à frente, como se tivesse pensando em se aproximar. Agatha engoliu em seco, mantendo a cabeça erguida, tentando ignorá-los. Mas os passos atrás dela mostraram que os homens decidiram segui-la. Um frio percorreu sua espinha, e seu instinto gritou: correr. Ela começou a correr, pedindo socorro em voz baixa, mas a noite parecia engolir suas palavras. Então, um carro surgiu do nada, quase a atropelando. Ela tropeçou e ralou o joelho, sentindo a dor ardendo na perna, mas não podia parar. Os homens continuavam atrás dela, rindo de forma c***l. Foi quando ele apareceu. O homem saiu do carro em um terno azul impecável, a presença imponente de alguém que dominava qualquer espaço que ocupasse. Dois metros de altura, corpo forte, olhar intenso — ele era o tipo de homem que fazia qualquer pessoa recuar só de encará-lo. Os olhos de Agatha encontraram os dele, cheios de medo e desespero. Ele não disse nada de imediato, apenas estendeu a mão em direção ao carro e falou com uma voz firme, mas calma: — Entra no carro. Sem pensar, Agatha obedeceu, o coração ainda batendo descompassado. Os dois homens no beco, percebendo o que estava acontecendo, avançaram: — Ei! Quem você pensa que é pra pegar a nossa mina? Douglas deu um passo à frente. O chão parecia tremer sob sua presença, e em um instante, os dois homens recuaram e correram, aterrorizados. Não havia dúvida: ele era alguém que não se podia enfrentar. Douglas olhou para Agatha, seu olhar firme, mas seguro, transmitindo algo que ela não conseguia identificar — proteção, autoridade, e talvez… algo mais. — Você está bem? — ele perguntou, sem tirar os olhos dela. Agatha só conseguiu acenar, sentindo pela primeira vez naquela noite que estava, finalmente, a salvo. Mas naquele instante, nem ela nem Douglas sabiam que aquela noite chuvosa seria apenas o começo de uma história que mudaria suas vidas para sempre. Douglas conduziu Agatha pelos corredores largos e luxuosos de sua mansão. Cada detalhe refletia poder e riqueza: móveis imponentes, obras de arte espalhadas pelas paredes, luz suave que iluminava o ambiente sem ofuscar. Quando chegaram ao quarto, ele entregou uma muda de roupa e uma toalha, sua voz firme, mas com um tom estranho de cuidado: — Aqui. E da minha irmã. Pode se trocar. Agatha pegou a roupa e entrou no banheiro. O tecido macio e limpo parecia outro mundo comparado à roupa molhada e suja da chuva. Respirou fundo, tentando se recompor, ainda sentindo o coração acelerado da corrida e do medo. Quando saiu, Douglas já a esperava, olhando atentamente. — Deixa eu ver o joelho — disse ele. — Está tudo bem, foi só um raladinho — respondeu ela, tentando parecer corajosa. — Deixa eu ver — insistiu ele. Agatha sentou-se, e ele, com cuidado, pegou sua perna machucada. Lentamente, limpou o ferimento, aplicando gaze e atadura em cada joelho ralado. O toque era firme, porém delicado, transmitindo segurança. — Obrigada, senhor — murmurou Agatha, desviando o olhar. Douglas levantou os olhos para ela, observando cada expressão, cada gesto. — O que você fazia na rua a essa hora? — perguntou ele, a voz baixa, mas firme. Agatha engoliu seco, sabendo que teria que contar a verdade. — Eu… estava saindo do trabalho. Fui demitida só porque recusei dormir com o gerente. A caminho de casa, aqueles dois homens começaram a me perseguir. — Ela respirou fundo, a tensão ainda visível em seu corpo. — Não pude voltar pra casa de mãos vazias… minha mãe está muito doente. Vou tentar algum trabalho hoje ainda, preciso de dinheiro. Douglas permaneceu em silêncio, estudando cada palavra, cada detalhe da expressão dela. — E agora, o que você vai fazer? Pra onde vai? — perguntou finalmente. Agatha baixou o olhar, a vulnerabilidade evidente. — Eu preciso de dinheiro… para comprar remédios para minha mãe. Ela está muito doente. — A voz dela falhou, e Douglas percebeu o peso de cada sílaba. Ele não disse nada de imediato. Apenas a observou, em silêncio, o olhar sério, como se ponderasse algo profundo. Havia poder, mas também uma estranha curiosidade, e talvez… preocupação. Aquele silêncio, pesado e intenso, parecia se estender por minutos, e Agatha sentiu, pela primeira vez naquela noite, que algo em sua vida estava prestes a mudar para sempre.
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