Passaram-se alguns dias desde a visita de Douglas, e Agatha tentava ao máximo organizar sua vida. Mas nada parecia suficiente. A saúde de sua mãe, Rute, piorava a cada dia, e Agatha sentia o peso de cada segundo que passava.
Naquele fim de tarde, o estado de Rute se agravou, e Agatha não teve escolha senão levá-la ao hospital. O caminho foi tenso, com o carro se tornando um espaço de silêncio pesado, interrompido apenas pelos sons de tosse e gemidos de dor de sua mãe.
No hospital, após uma série de exames, veio a notícia que Agatha temia:
— Ela precisa de um tratamento urgente — explicou o médico, a voz firme. — O custo total será de 380 mil reais.
O mundo pareceu desabar sobre Agatha. 380 mil reais? Como ela poderia pagar? Ela engoliu seco, sentindo a garganta fechar e o coração acelerar. A sensação de impotência e desespero tomou conta dela, e a realidade fria bateu com força.
Ela saiu da sala do médico, mãos trêmulas, olhos marejados. O desespero começou a dominar seu corpo. Não sabia o que fazer. Como poderia conseguir aquele dinheiro? Como poderia salvar sua mãe sem ajuda?
Agatha começou a andar pelo corredor do hospital, passos apressados, tentando pensar, tentando achar alguma solução. Mas nada surgia. Cada ideia parecia impossível, cada alternativa, distante.
O pânico crescia dentro dela, e lágrimas começaram a escorrer pelo rosto. Pela primeira vez em muito tempo, ela se sentiu completamente sozinha diante da vida e da doença de sua mãe.
E naquele instante, entre medo e desespero, uma lembrança veio à mente: Douglas. Aquele homem que a ajudou antes, que parecia tão poderoso e seguro. Mas como poderia contatá-lo agora? Ele ainda se lembraria dela? Ele realmente se importaria o suficiente para ajudar novamente?
O coração de Agatha disparou. Ela precisava tomar uma decisão, e precisava dela agora.
Agatha saiu do hospital com a sensação de que o chão havia sumido debaixo de seus pés. Cada passo parecia pesado, cada pensamento mais desesperador que o outro. Ela precisava de uma solução, precisava salvar sua mãe, e rápido.
Com as mãos trêmulas, pegou o celular e discou para um dos primos que tinha algum dinheiro. O coração batia acelerado, misturando vergonha e esperança.
— Alô? — Atendeu uma voz masculina do outro lado, indiferente.
— Oi… é a Agatha… — ela começou, tentando controlar o tremor da voz. — Eu… eu preciso de ajuda. Minha mãe… ela precisa de um tratamento urgente, mas o custo… é muito alto. É… 380 mil reais. Eu não sei o que fazer.
Houve uma pausa do outro lado.
— Nossa… 380 mil? — Ele disse, a surpresa clara na voz. — Você quer que eu ajude com quanto?
— Qualquer valor que você puder… por favor… — Agatha respondeu rapidamente, quase implorando. — Eu não tenho ninguém mais, meu pai nos deixou, minha mãe não tem como arcar sozinha, eu tentei economizar, tentei tudo…
Houve outro silêncio, e Agatha sentiu o pânico crescer.
— Agatha… — ele começou, mas a voz soava distante, quase fria. — Eu… vou ver o que posso fazer, mas não prometo nada.
— Obrigada… qualquer ajuda será suficiente… — Ela sussurrou, engolindo em seco.
Após desligar, Agatha se sentou em um banco do hospital, sentindo o peso da impotência. Ela sabia que poderia contar com Douglas, mas ainda hesitava em chamá-lo. Ele a ajudara antes, mas a lembrança da noite passada, a vergonha, a timidez e o medo de criar outra situação constrangedora a deixavam paralisada.
Ela olhou para a porta do hospital, sentindo o desespero apertar seu peito. A saúde de sua mãe não podia esperar. Ela precisava de uma solução agora — e, por mais que tentasse se enganar, sabia que uma única pessoa poderia ajudá-la de verdade.
Douglas.