Os dias seguintes foram longos. Longos e silenciosos. Elisa logo descobriu que o casarão podia ser sufocante mesmo com tanto espaço. As paredes brancas, os corredores impecáveis e o cheiro constante de flores frescas nos vasos pareciam zombar dela — uma beleza imóvel, fria, sem vida. Ela quase não via Dante. Sabia que ele estava por ali, trancado no escritório ou no quarto, mas nunca o via. Só o ouvia — principalmente à noite, quando as paredes finas entregavam demais. Nem sempre era Clara. Às vezes, vozes que ela nem reconhecia. Riso de mulher. Gemidos abafados. Barulho de corpo contra corpo. Elisa tapava os ouvidos com o travesseiro, fingindo que não ouvia, mas o som atravessava o tecido e o peito. No começo, era apenas incômodo. Depois, virou dor. Uma dor que ela não queria admiti

