Elisa olhou para Karen. Karen respirou fundo… um suspiro longo, pesado, cheio de dor antiga. Então, ainda abraçada à irmã, com a voz quase desaparecendo, ela finalmente contou: — O papai… Silêncio. — Ele… fazia coisas comigo. Karla empalideceu. Como se o chão tivesse sumido. O silêncio que se abriu depois da revelação de Karen era tão espesso que parecia ocupar cada fresta da sala. O filme pausado congelava um sorriso inocente na tela, contraste c***l com o que acabara de ser dito. Karla ficou imóvel. Olhos parados em Karen. Piscou uma vez. Outra. Como se tentasse reorganizar o mundo dentro da cabeça e ele simplesmente se recusasse a tomar forma. — Para. — ela murmurou, quase inaudível. — Para, Karen. Isso não… isso não pode ser verdade. Karen manteve o olhar baixo, a respiração

