Elisa subiu os degraus sozinha, o eco de seus passos preenchendo o silêncio tenso que ficara lá embaixo. A chave tremia em sua mão suada, um metal frio, pequeno demais para carregar tanto peso. Cada degrau parecia uma lembrança voltando: o som de um cinto estalando, a voz dele gritando seu nome, o choro abafado que ela mesma aprendera a esconder. O ar no andar de cima era mais denso, parado, como se aquela casa inteira respirasse o mesmo ar há anos, saturado de dor, rancor e medo. Quando chegou diante da porta trancada, ela parou. O coração batia rápido demais. Um nó subia pela garganta. Por um instante, quis voltar, descer correndo, fingir que não sabia o que estava atrás daquela porta. Mas o clique seco da chave na fechadura a trouxe de volta. Girou devagar. A luz do quarto era fra

