Karen continuava imóvel, o braço ainda preso na mão do pai. Nanci, ao fundo, observava, os olhos marejados, a expressão de quem sabia que, enfim, alguém tinha percebido o que acontecia ali. Dante parou no centro do cômodo, os punhos cerrados, o peito arfando. Do outro lado, Carlos Moreti agora segurava Karen pelos ombros com força demais. Era um gesto disfarçado de proteção, mas o medo no olhar da menina desmentia qualquer carinho. — Ela vai comigo. — A voz de Dante soou firme, cortante. Carlos soltou uma risada breve e amarga. — A Karen só sai dessa casa quando eu estiver morto. — Você consegue ser ainda mais desprezível do que eu imaginava. — Dante deu um passo à frente. — Com a sua própria filha, Moreti? Que tipo de doente é você? O rosto do outro homem endureceu. Fingiu não entend

