A porta se fechou suavemente atrás do doutor Álvaro, abafando o som do quarto onde Elisa permanecia em silêncio. Ele respirou fundo no corredor, ajeitando a pasta nas mãos antes de seguir adiante. O sol já começava a se inclinar, tingindo o hall com tons de âmbar e sombra. O ar tinha o cheiro de café morno e de casa vivida — mas também o peso da preocupação de alguém que esperava. Dante estava sentado na sala, de costas para a janela. O casaco escuro repousava sobre o encosto do sofá, e as mãos dele, firmes demais, denunciavam o esforço para conter a ansiedade. Quando ouviu os passos do médico, levantou-se de imediato. — E então? — a voz dele saiu tensa, sem esconder o nervosismo. — Como ela está? O doutor parou diante dele, mantendo a postura calma, o semblante neutro que vinha da expe

