Não era bem o que ele tinha mente. Mesmo assim, acelerou o carro trocando a marcha e indiferente a paisagem que passava diante dos seus olhos como um borrão distorcido verde enquanto o veículo ganhava o que ele mais queria no momento. Velocidade. O velocímetro em instantes alcançou 100 quilômetros por hora e ele permaneceu com o olhar fixo como se esperasse enfrentar velhos fantasmas do seu passado.
Um negócio falido. Terras abandonadas. Assim era o legado da grande família antes de prestígio nas proximidades da pequena cidade próxima ao mar.
Durante todo o verão a sua agenda de viagens estava repleta de compromissos e negócios eram sempre negócios, não importando o quanto um cliente podia ser chato ou inconveniente.
Durante algum tempo relativamente curto ele tinha passado por Salvador e decidido interromper as férias com frustração crescente.
Havia total caos no mercado de tecnologia e inclusão no setor era de fato um desafio com a crescente demanda de funcionários que evitavam deixar o estado do Sudeste e até mesmo São Paulo.
E tudo se resumia a poucas empresas, qualidade da educação na tecnologia que dificultaram sempre o campo de expansão do mercado das licitações.
Era o que sempre acontecia. Nada fugia a regra. Talentos e profissionais qualificados. A decisão de migração para regiões onde existem mais oportunidades ainda era uma realidade.
Tanto o Nordeste quanto o Norte tinham acesso limitado as redes sociais. As situações eram sempre clássicas nos relatórios que ele recebia do departamento pessoal de sua empresa.
A lista de reclamações nunca mudava. Desigualdade social e de renda. Recolocar um profissional num mercado de trabalho já tão saturado com poucas oportunidades e, em geral com pessoal desqualificado piorava tudo.
Fosse trabalho presencial ou híbrido... A cultura organizacional de um lugar assim é sempre um problema para aqueles que chegam de cidades grandes e nunca se adaptam ao estilo de vida.
-Nada disso. O Nordeste é um dos lugares com menor salário no mundo.
Ele sacudiu a cabeça relembrando a séria discussão.
Claro, havia desemprego na região. Na verdade, o Brasil era um imenso cenário de desigualdades crescentes. E sempre falta a questão de políticas públicas.
Fortalecer o mercado de trabalho na região ainda era um desafio. Eram, na verdade grandes desafios que dificultava tudo. Manter o rendimento da população. Melhorar o mercado de trabalho, a economia e também o rendimento domiciliar dessas famílias era como mexer num vespeiro.
Turismo sempre melhorava a renda. Só que ele tinha problemas com a lista dos Estados pobres e com renda per capita abaixo do nacional. Era como funcionava. Nordeste, Norte e Sul tinham os salários mais baixos.
-Qual é?? O salário é abaixo da média nacional por ali. Não vou de jeito nenhum deixar a minha vida e...
A lista de reclamações parecia nunca ter fim toda a vez que ele relembrava a discussão.
Era um fato. Trabalhadores assalariados tinham os menores salários médios. Nessa questão era sempre o mesmo. O Centro-Oeste e o Sudeste sempre estavam no topo. No Distrito Federal havia sempre os maiores salários. E comparando os salários a coisa piorava. Os salários eram mais ou menos por volta de 20% menores comparados ao Sudeste. Tudo funcionava diferente quando era em São Paulo, Rio de janeiro, Distrito Federal e Santa Catarina.
- Bem, existem incentivos fiscais. Redução de alíquota de impostos. Redução da Base de Cálculo de Imposto de Renda. Existe o PIS e CONFINS. Merda, a Sudene existe para cuidar do planeamento industrial rumo ao Nordeste.
A voz dele soou um tanto aborrecida enquanto mais uma vez ele se preparava na defesa dos interesses da empresa.
O Banco do Nordeste financiava investimentos em infraestrutura e serviços públicos.
Agricultura, pecuária e produção de mercadorias industrializadas...
" Isso não vai dar certo. Não vai mesmo funcionar!"