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LETÍCIA NARRANDO Florianópolis – duas semanas depois do enterro Já fazia dias que o sol brilhava e eu não via. Tudo nessa cidade parecia zombar da minha cara: os casais se abraçando na beira da praia, os sorrisos nos cafés, a brisa batendo nas varandas como se nada tivesse acontecido. Como se o homem que bancava meu estilo de vida não tivesse morrido. Como se eu ainda estivesse garantida. Mas eu não tava. O dinheiro que entrava todo mês sumiu. O cartão, que passava até sem senha, agora travava. As notificações do banco viraram silêncio. E pior: eu ainda não tinha conseguido acessar nenhuma conta dele. Foi por isso que eu fui naquele maldito prédio, no Centro, enfiada num tubinho preto justo e salto fino — não pra homenagear o defunto, mas pra lembrar ao advogado dele quem era que devia

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