SOL NARRANDO Sentei no sofá da varanda com a perna cruzada, vendo o céu ficar laranja por trás das lajes. A casa tava num silêncio bom, só barulho da TV do quarto da minha mãe e da água da piscina batendo de leve no azulejo. Botei o celular do lado, tela virada pra baixo, e deixei a cabeça falar sozinha. Pensei no Roberto. E a sensação foi tipo papel molhado: já teve peso, hoje não sustenta nada. Antes eu ficava, né? Coração acelerava, aquela coisa de filme. Agora… sei lá. Não sinto o que sentia. Acho que desbotou. Talvez eu tenha crescido, talvez eu tenha cansado, talvez os dois. E essa história de secretária atendendo o celular pessoal dele? Ah, meu amor… se tinha qualquer resto de sentimento, morreu ali. Não é sobre ciúme, é sobre respeito. Linha é linha. Eu tanto não ligo que as veze

