Prólogo - 3

993 Words
Parte 3... Depois que saciaram a saudade e seus corpos se encontraram, ficaram abraçados na cama, relaxando. Acabaram adormecendo. Um tempo depois ela abriu os olhos ao sentir algo tocar em seu rosto. Era Fellipe, agarrado a ela com a perna por cima da sua, correndo o dedo em sua bochecha. Ele sorriu quando a viu acordada e ela lhe sorriu de volta. Era tão bom momentos simples como esse, cheios de carinho. E pensou que seria agora o momento ideal de aproveitar e contar a novidade. O problema era que apesar de seu olhar carinhoso e seu toque delicado, sabia que Fellipe não era assim sempre, tão calmo. E isso a deixava com um certo receio de como falar, mas precisava. — Fellipe... Temos que conversar... Ele a beijou na testa e se esticou para vê-la melhor, se apoiando no braço para erguer a cabeça. — E do que quer falar, minha linda? — Sobre nós dois... O modo como a expressão dele mudou não foi bem como ela esperava. Fellipe mexeu o ombro e pareceu ficar incomodado, colocando uma máscara de indiferença no olhar que não a agradava. Também não disse nada, apenas esperou por ela. Cora ia começar a falar devagar, tentando chegar ao assunto principal, quando o celular dele tocou. Fellipe se virou e pegou o aparelho na mesinha ao lado da cama. — O que quer? - disse um pouco seco. Ela não sabia quem era, mas sentou também, puxando o lençol por cima do corpo. — Sei... E você conferiu tudo? - continuava a falar seco — Está bem, pode subir então. Desligou o celular e pegou o telefone comum, chamando para a portaria. Mandou que o porteiro deixasse subir a pessoa. — Quem é? Já estava chegando o fim da tarde e logo a noite se mostraria, quem seria agora? — Miranda, minha secretária pessoal. Cora sentiu um arrepio fino passar por seu pescoço. Miranda era a secretária dele, mas com certeza tinha outra ideia sobre seu chefe, já que sabia bem que os dois estão envolvidos há muito tempo e ela sempre está se fazendo presente. Depois de um tempo achou estranho o modo como ela sempre a olhava, toda vez que estava com Fellipe e ela aparecia, mas nunca comentou nada para não ficar parecendo uma namorada neurótica e ciumenta. E agora ela vinha direto ao apartamento dele, sabendo que estava morando lá. — Por que ela vem aqui a essa hora? Se sentiu incomodada. Nas últimas semanas Miranda estava vindo mais vezes ao apartamento. — É coisa de trabalho - levantou — Preciso assinar um documento e receber outros. — E tem que ser aqui, em casa? Não pode esperar até amanhã? Ele olhou para ela franzindo a testa, mas não dava para saber o que pensava. — Não, não pode. É algo urgente, Cora. Se vestiu depressa e saiu. Parou à porta. — Não vai demorar, depois eu volto para conversarmos. Ele saiu e deixou a porta aberta. Cora engoliu em seco. Estava com ciúme, claro, mas a questão é que ela havia atrapalhado o bom momento de revelar que estava grávida. Agora estava em dúvida se poderia mesmo falar a ele sobre a gravidez. Talvez devesse deixar para o dia seguinte. Ouviu a voz dele falando com Miranda. Levantou e correu para o closet para vestir algo. Estava saindo do closet quando ele voltou ao quarto. Até foi rápido. Ele estava com um envelope branco grande na mão. Parou e sorriu. — Ah, mas já se vestiu? Eu prefiro quando você nua em pelo. Ela se aproximou dele. — Ela já foi embora? — Já sim, foi rápido. Apenas assinei um documento e ela me deixou outros para analisar - abriu o envelope. Ela queria falar com ele, mesmo com receio. Tentou de novo. — Fellipe, a gente não conversou e... Ele sorriu e deixou o envelope ao lado em cima da tevê e começou a abrir a camisa e a calça. — Então a gente começa de novo e depois falamos. — Não, tem que ser agora - apertou os dedos. Ele torceu a boca e fez uma cara descontente. Sentou na cama e soltou um suspiro resignado. — Tudo bem, então - gesticulou — Comece. Ela sentiu um peso nos ombros. Agora precisava continuar. — Cora? O que é tão importante que você não pode esperar? — Eu... Quero saber o que temos realmente? Ele ergueu uma sobrancelha. — O que você sente de verdade sobre mim, Fellipe... - apertou os dedos das mãos, empurrando as unhas nas palmas. — Ah, é isso - ele enfiou os dedos no cabelo preto, abaixando a cabeça e fazendo um som de irritação. — Eu quero saber se... Se a gente tem um futuro juntos, se vamos casar, se vamos... Ele levantou rápido. Andou até ela. — Qual o problema agora? — Nenhum... Eu só quero saber - deu de ombro — Você não fala sobre nós no futuro, tudo o que diz é atual, é para agora... — Exato - deu um risinho cínico — Porque pensar no futuro? Nós vivemos no presente, no hoje, querida. — Mas eu preciso saber - torceu as mãos nervosa — Para onde vamos com esse relacionamento e se... — Não... - riu balançando o dedo indicador — Não existe um relacionamento, bebê - segurou seu queixo com a ponta do dedo — Tudo o que nós temos é só um passatempo divertido, é s**o. Somos amantes. Ela engoliu pesado. Ele poderia ter dito sua namorada, sua garota, sua companheira de vida. Mas entre tantos significados, ele escolheu justo amante. E falou de uma forma tão displicente que ela se sentiu magoada. Uma amante era apenas uma mulher qualquer, uma mulher comprada para o prazer dele, alguém sem importância real que poderia ser trocada a qualquer momento. Foi a primeira vez que sentiu náusea. Seu estômago se rebelou contra essa definição. — Amante? Passatempo divertido?
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD