O sol já batia forte lá fora, castigando o asfalto do Vidigal, mas dentro daquele quarto o tempo parecia ter parado no compasso do desenho animado que passava na TV. Eu ainda segurava a mão dela, sentindo cada ossinho daquela mão miúda, quando duas batidas discretas na porta me tiraram do transe. O médico entrou. Ele tinha um semblante cansado e segurava um tablet. Assim que ele me viu, inclinou a cabeça de leve, num gesto de respeito que todo mundo no morro aprende rápido se quiser viver muito. — Com licença, Chefe... — ele falou baixo. — Preciso de uma palavra rápida com o senhor. A baixinha imediatamente tencionou os dedos nos meus. O pavor de ser deixada sozinha com o "jaleco branco" brilhou nos olhos dela. Eu me inclinei, encostando minha testa na dela por um segundo. — Ei... calm

