TRAVA Abri os olhos quando os primeiros raios de sol começaram a forçar a entrada pelas frestas da veneziana da janela, cortando a penumbra do quarto. Minha mente despertou no estalo, sem aquela moleza de quem dormiu a noite toda. Olhei para o relógio digital no criado-mudo: nem seis da manhã ainda. Tinha dormido pouquíssimo, talvez umas três horas arrancadas a ferro, mas o pique de quem comanda o morro não deixa o corpo cobrar o cansaço. Eu precisava descer para a boca de fumo cedo. Tinha que organizar o plantão, checar os relatórios de venda da madrugada com o Titã e, principalmente, botar os meus informantes e os moleques da contenção na pista para caçar qualquer rastro daquela mulher do hospital e do desgraçado do cigarro. A engrenagem não podia parar, ainda mais agora que a guerra ba

