O sol já estava mais alto, mas o clima dentro do quarto 108 permanecia naquela penumbra protegida que eu tinha criado. Eu estava sentado na poltrona, sentindo cada músculo do meu corpo cobrar o preço daquela noite em claro, mas não soltava a mão da baixinha por nada. O monitor cardíaco mantinha um ritmo calmo, um bip preguiçoso que me dava a esperança de que ela estava, finalmente, descansando. Essa paz durou pouco. A porta abriu devagar e dois enfermeiros entraram. Eles traziam um carrinho de metal cheio de bandejas, gases, frascos de álcool e agulhas. O som das rodinhas rangendo no piso foi como um alarme de invasão. Imediatamente, o corpo dela retesou. O monitor disparou na hora. Bip-bip-bip-bip! Os olhos dela, ainda inchados e sofridos, arregalaram-se numa súplica muda. — Patrão, a

