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TITÃ Abri os olhos bem devagar, sentindo a claridade fraca da manhã forçando a entrada pelas frestas da janela. Olhei de canto pro relógio digital: nem seis e meia da manhã ainda. Olhei para a frente e dei de cara com a Manu grudada em mim. Mano, de verdade? Pela primeira vez em dez anos, eu tinha conseguido dormir bem. Dez anos de puro inferno, de mente acelerada na neurose da pista, dormindo com um olho aberto e o outro fechado, esperando o pior. Mas a noite passada foi diferente. A gente ficou ali, jogado na cama assistindo filme até tarde, sem pressa, sem fardos nas costas, até o sono vencer. Dormimos de frente um para o outro, um espelhando a posição do outro no colchão — aquele velho costume que o corpo pegou na bicheira daquela maca de hospital, vigiando o sono um do outro de pert

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