O ronco do motor da moto do Trava ecoou lá embaixo, quebrando o silêncio que tinha se instalado na minha varanda. Eu estava de pé, encostado na pilastra de concreto perto da piscina, com os braços cruzados sobre o peito e o rádio da boca preso na cintura, apenas observando a pista. No sofá da sala, a Manu esperava inquieta, os olhos castanhos fixos na porta de entrada, com aquela ansiedade pura de quem passou dez anos dividindo o mesmo inferno com a única amiga que restou. Escutei o estalo do portão de ferro abrindo. Logo em seguida, a silhueta do meu parceiro de crime cruzou o corredor lateral da casa. Trava vinha caminhando devagar, com a cara fechada de sempre, mas o jeito que ele segurava a Olívia mudava tudo. Ele mantinha o braço direito firme ao redor da cintura pequena dela, serv

