~Terceiro~ O sol de fim de tarde castigava o asfalto irregular das ruelas do morro, fazendo o vapor quente subir do chão e misturar ao cheiro forte de óleo diesel dos mototáxis que subiam e desciam a ladeira em ritmo frenético. O movimento na comunidade estava no seu ápice, com o comércio fervendo e os moradores voltando do trabalho no asfalto. No coração daquele labirinto de concreto e tijolo baiano exposto, a quadra poliesportiva funcionava como o verdadeiro centro nervoso da região. Além das crianças que corriam descalças atrás de uma bola murcha e do som alto de um funk antigo que ecoava de uma birosca próxima, o entorno da quadra era o ponto de maior concentração da contenção do morro. Jovens de boné aba reta, radios acoplados nas bermudas de tactel e fuzis pendurados em bandoleiras

