~Ravi~ A noite no Vidigal já tinha se instalado por completo, trazendo aquela brisa fresca que vinha do mar e subia cortando as vielas do morro. Dentro da minha casa, o silêncio era um privilégio raro, que eu fazia questão de manter para dar um pouco de paz à Manu. Eu estava sentado na beirada da cama, observando o jeitinho que ela estava encolhida, com o pé engessado apoiado em cima de uma almofada para aliviar o cansaço. O dia tinha sido tenso, mas ver a minha preta ali, longe de todo aquele inferno de hospital, já fazia meu peito dar uma respirada mais aliviada. Olhei para ela e percebi que ela estava desconfortável, mexendo no tecido da camiseta. Ela olhou para o gesso e depois para mim, sabendo da regra principal que o médico e eu tínhamos batido o martelo: ela não podia apoiar o pé

