~Manu~ O sol do meio-dia começava a perder aquela força castigante, dando lugar a uma brisa morna que subia a ladeira e espalhava o cheiro de mata e maresia pela varanda da casa. Desde que eu tinha voltado para os braços do Ravi, depois daqueles dez anos intermináveis trancada naquele inferno cinzento, eu tinha desenvolvido uma mania: ficar na rede. No início, eu passava as tardes na rede da varanda dos fundos, encolhida, olhando para o nada, tentando me convencer de que o céu azul lá fora era real e não um delírio da minha mente cansada. O Ravi, com aquele jeito dele que não precisa de muitas palavras para entender tudo o que se passa comigo, percebeu isso. Ele viu que a rede era o meu porto seguro. Então, numa manhã dessas, ele apareceu com uma estrutura nova e armou uma rede enorme, de

