Aquela madrugada de terça-feira parecia que não ia ter fim nunca, tá ligado? O relógio do meu celular marcava quase duas horas da manhã e o silêncio no quarto 108 só era quebrado pelo barulho da chuva fraca que começava a bater na janela. Depois que ela bebeu aqueles goles sofridos e me deu aquele sorrisinho que quase me desmontou, eu deitei de volta na maca. Tentei pegar no sono, mas quem disse que o radar do cara deixa? Eu tava num cochilo leve, aquele sono de criminoso que qualquer estalo tu já acorda de peça na mão, quando comecei a sentir um calor estranho colado no meu peito. Uma quentura que parecia que o colchão tava pegando fogo. Abri os olhos no escuro da penumbra e passei a mão na minha própria camisa preta. Mano, a parada tava encharcada. Molhada mesmo, de cima a baixo. Mas nã

