O escritório nos fundos da mansão na Penha exalava o cheiro pesado de charuto cubano e dinheiro antigo. Diferente do ambiente improvisado e abafado das bocas de fumo do morro, ali o crime operava com a estética de uma multinacional: paredes revestidas de mogno escuro, isolamento acústico de última geração, iluminação embutida e uma mesa de reuniões de vidro blindado que ocupava o centro do recinto. Janelas amplas davam vista para os fundos do terreno fortificado, vigiado por homens de terno e fuzis velados. Era dali que as grandes diretrizes da facção ganhavam corpo, ligando o asfalto à favela. Vitor estava de pé, perto de um bar de canto, servindo duas doses de uísque com o gelo estalando no copo de cristal. Ele mantinha a postura alinhada, mas o brilho nos seus olhos denunciava o sadism

