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918 Words

O cheiro de hospital nunca desceu bem na minha garganta. É um cheiro de incerteza, de alcool barato, sangue seco e desinfetante. Mas ali, encostado na parede fria do corredor do posto, eu não sentia medo; eu sentia uma raiva, vontade de matar alguém no soco. Eu tinha ido em casa, tirado a sujeira de sangue do corpo, mas o toque daquela mãozinha gelada apertando a minha parecia ter ficado tatuada na minha palma. Vesti uma camisa preta limpa, joguei a jaqueta por cima e voltei. O Ravi estava lá no quarto com a Manu, e eu estava aqui, sendo o escudo de uma menina que eu nem sabia o nome. Fiquei quase uma hora ali, no meu posto, vigiando a porta da emergência como se fosse a entrada do cofre do morro. Meu pé batia no chão num ritmo acelerado, e cada minuto que passava parecia uma hora de

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