Eu ficou olhando meu reflexo no espelho do meu closet enquanto ajusto o colar de pérolas legítimas sobre o pescoço. Se alguém olhasse para esta cena, veria apenas a imagem da perfeição: Renata Vasconcelos, a socialite filantropa, a esposa dedicada, que deseja fazer o bem sem ver a quem. É uma imagem cara, construída com muito cuidado e mantida com uma frieza que poucas pessoas no meu círculo teriam estômago para sustentar. Mas a realidade é muito mais lucrativa do que a aparência. O Eduardo entra no closet, terminando de dar o nó na gravata. Nós nos olhamos pelo espelho. Não há amor ali, nunca houve. O nosso casamento é um contrato de conveniência, uma fachada perfeita para "ficar bonito" nas colunas sociais e nas fotos de eventos beneficentes. Somos sócios em uma empresa onde o produto

