O relógio marcava sete da manhã quando acordei. Senti um calor diferente, um peso bom contra meu corpo, um arzinho que batia no meu pescoço que eu não sentia há uma década. Manu estava grudada em mim, a cabeça enterrada no meu peito. Durante a noite, ela não se mexeu nada. O corpo dela relaxou e vi que ela embalou num solo profundo, calmo, mas a todo momento querendo ter certeza que eu estava ali. Olhei para baixo e dei um sorriso. O edredom tinha sumido com ela inteira. Com todo o cuidado do mundo, levei a mão até a borda da coberta e puxei devagar para descobrir o rosto dela e deixar ela respirar melhor. No mesmo instante, o corpo dela deu um pulo. Foi um reflexo feio de ver. Ela não abriu os olhos; em vez disso, encolheu os ombros e levantou as mãos para proteger a cabeça. — Não..

