Pouco tempo depois daquele momento tranquilo e apaixonado, o celular de Marlon tocou. Ele se afastou discretamente, atendeu e ouviu a voz de um dos investigadores com quem vinha mantendo contato.
— Senhor Marlon... conseguimos uma pista concreta. Parece que encontramos onde o Gustavo está se escondendo.
O sangue dele ferveu por dentro. Seu maxilar travou e a respiração ficou pesada. Ele se recompôs rapidamente, desligou a ligação e caminhou até o filho que brincava na sala.
— Filho... o papai precisa sair pra resolver um assunto rapidinho, tá bom? Em breve o papai volta.
Henrique o olhou com aqueles olhos doces e confiantes.
Ellie, que escutava do sofá, sorriu cansada, mas carinhosa.
— cuidado amor disse ela!
— Sempre, meu amor.
Marlon saiu decidido. Dirigiu até o local indicado. Quando chegou, a adrenalina subiu no seu corpo. Desceu do carro e entrou no galpão abandonado. Lá estava ele: Gustavo. O rosto cínico virou surpresa ao vê-lo.
— Como você conseguiu me encontrar?
Marlon não respondeu. Pegou uma cadeira próxima e jogou no chão com força, abrindo caminho. Em segundos, estava com as mãos no pescoço de Gustavo, empurrando-o contra a parede com fúria.
— Como você ousou aparecer na escola do meu filho? Tocar no braço dele?! Você tem noção de como o garoto ficou assustado? O braço dele ficou vermelho, seu desgraçado!
Gustavo tentou se soltar, mas a força de Marlon era maior.
— Você fez a cabeça do meu filho contra mim! Ele me chamou de monstro! Disse que eu não era o pai dele, que você era!
Marlon gritava com raiva, os olhos vermelhos de ódio.
— Eu nunca obriguei Henrique a me chamar de pai. Ele fez isso sozinho. Porque te enxerga como o monstro que você virou.
Então Gustavo gritou, Você sequestrou a Ellie! Queria que eu aceitasse como?
Ela sempre foi minha! E você se aproveitou da dor dela!
Gustavo cuspiu no chão e retrucou com desprezo:
— Eu só peguei o que você jogou fora. Ela era minha também!
Marlon partiu pra cima. Os dois lutaram com violência. Marlon o acertou no rosto, no estômago, chutou, socou... deixou Gustavo no chão, desfigurado, sangrando, gemendo.
Quando levantou o braço para dar o golpe final, parou. Respirou fundo, os punhos trêmulos de raiva.
— Faz logo... — Gustavo sussurrou com sangue nos lábios.
Marlon se afastou.
— Não. Você precisa sentir. Precisa saber que eu cheguei até você... que te deixei assim... e não te matei porque eu não quis.
Virou as costas e saiu.
Chegando em casa, ele foi direto para a área externa. Lavou as mãos sujas de sangue, tirou a camisa rasgada e suja e colocou na máquina de lavar. Pegou uma camisa limpa que secava no varal e vestiu. Respirou fundo para não assustar ninguém e entrou.
Henrique o viu entrar e correu animado.
— Papai! Você voltou!
— Voltei, campeão. Sempre. — Marlon sorriu, agachando-se para abraçá-lo.
— Que filme é esse que você tá assistindo?
— Um muito legal! Vem assistir com a gente?
Ellie, deitada no sofa , já tinha adormecido de lado, exausta. Os gêmeos estavam dormindo no bercinho que ficava ali na sala
Marlon sentou ao lado do filho, o abraçou de leve e ficou ali... assistindo o filme, em paz, mas com o olhar atento. Porque qualquer um que ousasse ferir sua família... saberia exatamente do que ele era capaz.