a faculdade

1249 Words
Marlon passou os dedos delicadamente pelos cabelos de Ellie, como se quisesse guardar cada fio na memória. Ela fechou os olhos, deixando o toque suave acalmar todos os pensamentos que ainda restavam daquele turbilhão. — Meu amor, eu tô muito feliz de verdade — Ellie começou, com um sorriso doce —. Obrigada por você me permitir voltar pra faculdade. Eu até conversei com a Bruna e a Jéssica quando eu tava grávida dos gêmeos. Eu falei pra elas que tinha muita vontade de voltar, e a Bruna falou que você talvez até deixaria, só esperando eu te pedir. Confesso que fiquei com um pouco de rancor, porque você é complicado, né, vida? Tem vezes que você é complicado. Marlon sorriu, segurou o rosto dela com carinho e falou, divertido: — Só um pouquinho... Mas aí você teve estratégia, né, meu amor? Me deu uma noite maravilhosa, uma manhã incrível, e depois fez esse pedido na piscina, sabendo bem que eu tava cheio de fogo. Que mulher esperta que eu tenho! Ellie riu, mordendo o lábio, encantada pelo jeito dele. — Eu sei o que faço — sussurrou, se aninhando mais perto. — E eu quero te ver brilhar, meu amor, realizar todos os seus sonhos — disse ele, com um brilho apaixonado nos olhos. Ela o olhou nos olhos, sentindo o amor que transbordava dali. — Com você do meu lado, sei que nada pode me parar. Ele a puxou para um beijo calmo, cheio de ternura e promessa. Era um beijo que dizia: "estamos juntos, sempre." No silêncio que ficou depois, eles ficaram ali, abraçados, olhando para o céu que começava a escurecer, pintado com tons de laranja e rosa. — Vamos fazer desse ano o nosso ano — Ellie falou baixinho, com uma felicidade que iluminava os olhos. — Vamos — Marlon respondeu firme. — E nada vai nos parar. Na manhã seguinte, o sol parecia brilhar diferente. Ellie estava diante do espelho, ajeitando os cabelos com um brilho nos olhos que há tempos não se via. Viu seu reflexo e sentiu orgulho. Havia voltado. Havia superado. E agora, estava de volta ao lugar de onde um dia foi arrancada: o seu sonho. Marlon encostado no batente da porta do closet, de braços cruzados, observava tudo em silêncio. Os olhos dele brilhavam com um misto de admiração, desejo e... ciúmes, é claro. — Meu amor... — ele chamou, com a voz rouca — você tem certeza que quer me deixar louco desse jeito? Ellie virou-se devagar, usando uma calça jeans justa e uma camisa branca simples, mas elegante. A maquiagem leve, o perfume suave... Ela estava deslumbrante. — Tá exagerando, Marlon — ela riu, pegando a bolsa. — É só o primeiro dia. — Só o primeiro dia de tortura pra mim — ele respondeu, se aproximando e segurando a cintura dela. — Olha pra você... Como eu vou te deixar num lugar cheio de homem te olhando? — Marlon... — ela disse, com paciência, apoiando as mãos no peito dele. — Não começa, vai. Você mesmo escolheu a faculdade. Você mesmo me deu apoio. — E agora estou aqui arrependido — ele fingiu drama, beijando o pescoço dela. — Já posso trancar sua matrícula? — Marlon! — ela riu alto, empurrando ele de leve. — Para com isso. Eu vou voltar médica, meu amor. E você vai se orgulhar. — Eu já me orgulho — ele respondeu sério, olhando nos olhos dela. — De cada passo seu. Mas saiba... se um professor ousar te elogiar demais, ou um aluno der em cima de você... — O que você vai fazer? Vai sequestrar ele também? — ela provocou, sorrindo. — Não. Dessa vez, eu só vou dar um recado direto. Um olhar meu basta. — Tá bom, valentão — ela riu, pegando a chave do carro. — Nem pense em dirigir — ele tomou a chave da mão dela. — Eu vou te levar. Te buscar. Te escoltar. E se você fizer alguma prova de jaleco... eu quero ver a foto. Ellie sorriu emocionada e se jogou nos braços dele. — Obrigada, meu amor. Por tudo. — Eu te amo, ruivinha — ele murmurou no ouvido dela. — Vai lá. Brilha por nós dois. E ali, naquele abraço, estavam todas as promessas, toda a força e todo o amor que os unia. Marlon a levou até a faculdade com orgulho no peito. Viu quando ela desceu do carro, de cabeça erguida, confiante. Ela olhou pra trás, sorriu, acenou, e ele respondeu com um beijo soprado no ar. Ela estava pronta para recomeçar. E ele, mesmo com o coração apertado, estava pronto para aplaudir. O corredor estava silencioso, abafado pelo ar-condicionado e pela tensão do primeiro dia de aula. Ellie caminhava com segurança, bolsa no ombro, crachá pendurado no peito. Os olhos dos outros alunos seguiam seus passos. Alguns disfarçavam. Outros nem tentavam. Entrou na sala de aula, ajeitou os óculos escuros por um segundo — mais por charme do que necessidade — e escolheu uma cadeira no fundo, perto da janela. Precisava de ar. Precisava de visão ampla. O professor entrou em seguida. Alto, moreno, elegante. Usava blazer mesmo no calor, tinha voz grave e uma postura firme. — Bom dia, turma. Eu sou o professor Arthur Mendonça, responsável por Clínica Médica. Sejam bem-vindos. Vamos ter um semestre intenso. Muito estudo, muito suor… e espero que nenhuma lágrima — ele sorriu, e a sala riu. Mas quando os olhos dele pousaram sobre Ellie… o sorriso dele vacilou por um segundo. Rapidamente disfarçou e continuou a falar. Ellie percebeu. Ela percebeu cada olhar. Outro professor se apresentou. Professor Gustavo Leal. Jovem, empolgado, bem-humorado. Fez piadas, interagiu com a turma. Também olhou demais para ela. E ela sentiu. Um grupo de alunos mais ao canto murmurava. Dois rapazes cochicharam entre si. Um deles, de cabelo descolorido e piercing na sobrancelha, cutucou o outro: — Nossa, a ruiva do fundão é casada? — sussurrou. — Parece. Mas dizem que o marido dela é um empresário... sinistro. Rico e perigoso. — Ah, é assim que eu gosto — ele riu. Ellie cruzou as pernas devagar, manteve a coluna reta e a expressão firme. Como se dissesse com o corpo: Cuidado com o que você deseja. Ela não precisava de palavras. Sua postura já avisava: “Eu sou de Marlon. E ele é o inferno de quem ousar me desejar.” Durante a aula, os olhares continuaram. Ela fazia anotações, respondia perguntas com firmeza, mostrava conhecimento. Impressionava. Ao final da aula, enquanto todos se levantavam, o professor Arthur se aproximou educadamente. — Ellie, não é? — disse com um sorriso cordial. — Vi que seu nome está na lista dos veteranos. Bem-vinda de volta. — Obrigada, professor — respondeu ela, educada, mas contida. — Se precisar de algo, estou à disposição. Sei que não é fácil voltar depois de um tempo fora. Mas tenho certeza que você vai se destacar. Boa sorte. Ela agradeceu, guardou seus materiais e saiu da sala com classe. No corredor, antes de sair da faculdade, tirou o celular da bolsa. Viu uma notificação: 📲 Marlon: “Já tô no estacionamento. Tô te vendo. Tá linda.” Ela sorriu discretamente. E pensou: "Que bom que ele não viu os olhares que eu vi. Porque se tivesse visto... teria sangue hoje." Mas ela sabia: tudo que Marlon precisava era sentir confiança. E ela faria de tudo para que ele soubesse que era só dele. Sempre foi. Sempre será.
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