Ele acariciou o rosto dela com os dedos e sorriu, ainda com os corpos entrelaçados no sofá do escritório.
— Mas agora... vamos pro quarto tomar um banhozinho e dormir um pouquinho, tá? — murmurou com aquela voz baixa e quente que só ele tinha. — Daqui a pouco você precisa acordar de novo e preparar a aula.
Ela soltou um suspiro longo, exausta e entregue.
— Ai, eu preciso mesmo... tô morta. Mas... eu não vou conseguir me levantar agora. Você me desmontou, né?
Ele riu, aquela risada grave que vibrava no peito, e a olhou com ternura e desejo ao mesmo tempo.
— Então deixa que eu te carrego, minha princesa.
Com cuidado e força, ele a pegou no colo, como se ela fosse feita de seda. O corpo dela encaixou naturalmente nos braços dele, a cabeça encostada no ombro, os olhos meio fechados, rendida. No caminho até o quarto, ela sussurrava mimos e beijos preguiçosos na curva do pescoço dele. E ele a levava como quem leva o maior amor do mundo.
Chegando no quarto, ele a colocou no chão com delicadeza e ligou o chuveiro. A água caiu quente, convidativa, envolvente. Entraram juntos no box, e ali dentro, o mundo ficou em silêncio outra vez. Apenas o som da água escorrendo e das respirações entrelaçadas.
Ela deixou a testa colada no peito dele, os braços ao redor da cintura dele, enquanto ele passava as mãos nos cabelos dela, deslizando pela nuca, pelos ombros, pelas costas.
— Eu amo estar com você assim... — ela sussurrou.
— E eu amo cuidar de você assim... — ele respondeu, selando seus lábios com um beijo terno.
Beijaram-se debaixo da água como se fosse a primeira vez. Lento. Profundo. Cheio de significados. As bocas se buscavam com suavidade, como se o tempo tivesse parado para aquele instante ser eterno. Depois ficaram ali, apenas abraçados, sentindo um ao outro, em silêncio, com o coração batendo em paz.
Saíram do banho com os corpos molhados e o amor renovado. Se secaram juntos, entre risos suaves e carinhos leves, como quem conhece cada centímetro do outro. Deitaram na cama e se cobriram, os corpos ainda quentes, as pernas entrelaçadas.
Ela deitou a cabeça no peito dele, encaixando perfeitamente, como se aquele fosse o único lugar do mundo onde ela poderia descansar de verdade.
Ele envolveu os braços ao redor dela, passando a mão devagar pelos cabelos úmidos, beijando a testa com carinho.
— Dorme, minha ruiva. Eu tô aqui. Sempre.
E ela, com os olhos pesados, sussurrou:
— Te amo... obrigada por tudo...
Adormeceram assim, grudados, colados, inteiros. Corações tranquilos. Almas abraçadas. A madrugada os embalou, e por algumas horas, tudo ficou em paz.
Horas depois, o despertador tocou estridente no quarto. A luz da manhã invadia pelas frestas da cortina e se espalhava pelo quarto ainda com o cheiro da noite de amor. Marlon virou com preguiça, apertando o botão para silenciar o som.
— Ah não... — murmurou com a voz rouca, puxando Ellie mais pra perto. — Queria tanto dormir mais...
Ela gemeu baixinho, ainda afundada no travesseiro. Ele então riu e disse, encostando os lábios no ouvido dela:
— Tá vendo o que dá dormir no meado da madrugada, dona Ellie? Isso aí, ó!
Ela resmungou, rindo, a voz manhosa:
— Ai... eu quero ficar em casa...
— Então você fica, meu amor — ele respondeu, dando um beijo em seu ombro nu. — Ainda mais com essas perninhas fraquinhas aí...
Ela gargalhou, o corpo todo tremendo com a risada.
— Vida, queria mesmo, viu... Mas não tem condição, amor. Se eu perder essa prova, você vai ter que pagar quinze mil, sabia? Porque são DUAS provas pra fazer de novo.
— Eu pago, ué. Não tem problema não — ele respondeu, despretensioso.
— Nada disso! Quinze mil é uma BOA compra que você pode fazer pra gente... pras crianças! Nem vem!. Eu vou fazer.
Ela tentou levantar, mas logo caiu de novo sobre o colchão, rindo.
— Olha isso! — ele disse, dando um tapinha leve na coxa dela. — Tá vendo só como você tá fraquinha?
— Tô! — ela respondeu gargalhando. — Tô fraca mesmo! Mas eu vou me escorando nas paredes!
Assim, Ellie foi cambaleando com graça até o banheiro. Ligou o chuveiro e deixou a água morna lavar o corpo e os pecados da madrugada. Depois, vestiu um vestido soltinho florido, levinho, fresco. Prendeu parte dos cabelos num coque despretensioso, deixando o restante — liso, ruivo, longo — cair até quase a altura da b***a. O brilho natural dos fios denunciava o cuidado e o charme que ela carregava sem esforço.
Quando saiu do banheiro, Marlon estava encostado na porta, de braços cruzados, mordendo os lábios e a olhando de cima a baixo.
— Nossa... como que a minha ruiva tá gostosa... Meu Deus do céu...
Ela sorriu, tímida e provocante ao mesmo tempo.
— Bobo...
Ele foi se arrumar também. Camisa social dobrada nos braços, jeans escuro, relógio no pulso, perfume marcante. Marlon estava lindo. Alto, corpo definido, moreno de pele dourada, cabelo liso bem cortado, uma barbinha milimetricamente sedutora e aqueles olhos cor de mel que hipnotizavam. Cada dia com um carro diferente. E hoje era um esportivo preto com detalhes cromados que chamava atenção de qualquer um.
Chegando à faculdade, ele saiu do carro primeiro e correu pra abrir a porta do lado dela.
— Boa prova, tá bom, meu amor — disse com um sorriso malicioso. — E ó... vai se escorando na parede, hein?
Ela riu alto, empurrando de leve o peito dele.
— Vai pra lá, bobo!
Ele gargalhou, jogando a cabeça pra trás, rindo como um menino.
— Mais tarde tem mais, não tem?
— Só se for você me desmontar de novo... porque amanhã eu não vou conseguir nem pisar o pé no chão.
Riram juntos e se beijaram ali mesmo, na porta da faculdade. Alguns passavam olhando com inveja, outros com admiração. O casal chamava atenção por onde passava — não apenas pela beleza, mas pela conexão verdadeira que transbordava entre eles.
Marlon era conhecido. Um empresário renomado, temido no meio dos negócios. Um homem intenso, decidido, e com fama de psicopata apaixonado quando se tratava de proteger a mulher dele. E todo mundo sabia: Ellie era o ponto fraco e ao mesmo tempo a força dele.
Depois da despedida, ela seguiu para a sala. Horas depois, a prova começou. Ellie estava concentrada, serena. Tudo fluía. Ela havia estudado demais. Não tinha dúvida. Fez as duas provas com firmeza, e ao entregar a última, o professor a olhou com surpresa e respeito.
— Parabéns, Ellie. Você gabaritou.
— Sério, professor? Ai, meu Deus... muito obrigada! — ela sorriu aliviada, o coração acelerado.
Ao sair da sala, pegou o celular e mandou áudio pra Marlon:
— Amor, já acabei... e tenho novidades...
Em minutos ele chegou. Desceu do carro e a olhou ansioso:
— E aí... como foi minha ruiva?
Ela sorriu como uma criança com um segredo bom.
— Gabaritei, amor. As duas!
Ele a puxou num abraço forte, levantando ela no ar.
— Uhul! A minha futura doutora GABARITOU! Isso merece uma comemoração!
— Depende... — ela riu. — Se for daquele tipo de comemoração, não. Tô com as pernas fracas ainda...
— Essa eu aguento mais um pouquinho — ele disse com um sorriso safado. — Mas que tal a gente almoçar fora?
— Acho ótimo! — ela respondeu, já entrando no carro.
---
Almoço de Vitória
Eles foram até um restaurante sofisticado e acolhedor, com vista para um jardim de oliveiras, mesas ao ar livre, brisa suave passando por entre os tecidos brancos das coberturas. O restaurante tinha um charme europeu, com música instrumental suave tocando ao fundo, e garçons discretos e simpáticos.
Sentaram-se numa mesa reservada, com uma vista linda. Ele puxou a cadeira pra ela com gentileza, depois se sentou à frente.
— Hoje é por minha conta, doutora. Escolhe o que quiser. Entradas, prato principal, sobremesa... vinho, se quiser também.
Ela sorriu, ainda ruborizada pelo orgulho de tê-lo ao lado.
— Acho que eu vou querer... uma massa com molho de camarão. E você?
— Eu vou de risoto com filé ao molho madeira.
Pediram também um espumante leve para brindar a conquista. E ali, entre risadas, olhares cúmplices e mãos entrelaçadas sobre a mesa, a vitória foi celebrada.
Marlon levantou a taça.
— A você, minha Ellie. Pela dedicação, pela força... e por me fazer o homem mais orgulhoso do mundo hoje.
Ela brindou com os olhos brilhando:
— A nós. Sempre.