As aulas começaram rápido demais.
A universidade era impecável. Professores brilhantes, alunos ambiciosos, corredores onde o futuro era negociado em olhares e sobrenomes. Em poucas semanas, eu já conhecia várias mulheres bonitas, inteligentes, confiantes. Mas não me envolvi com nenhuma. Ainda não.
Até a noite da festa da fraternidade.
O ambiente estava carregado de álcool, música alta e promessas vazias. Foi ali que uma delas se aproximou sem rodeios. Olhar direto. Corpo oferecido. Nenhum jogo.
Levei-a para o meu apartamento.
Ela não perguntou nada. Apenas se colocou à minha espera, como se soubesse exatamente o papel que queria cumprir naquela noite. Avisei, com calma:
— Se não aguentar, me para. Eu respeito limites.
Ela concordou.
O que aconteceu depois foi intenso, controlado, avassalador. Não havia romantismo — apenas entrega e domínio. Quando terminou, ela m*l conseguia recuperar o fôlego.
— Você não é normal… — disse, rindo, ainda desnorteada.
Sorri. — Isso depende do que você chama de normal.
Acompanhei-a de volta à festa. Mas antes que eu pudesse desaparecer, outra mulher se aproximou. Diferente. Mais calculista.
— Quero tudo — disse ela. — Sem pressa.
E eu entendi exatamente o que aquilo significava.
A noite se repetiu, mas com outra energia. Mais lenta. Mais profunda. Mais perigosa. Ainda assim, algo estava errado.
Enquanto conduzia cada movimento, minha mente estava longe.
Estava nela.
Brenda.
Na entrega dela. No jeito como não recuava. Como pedia mais sem usar palavras. Como entendia o jogo.
Quando percebi que havia ido longe demais, parei. Pedi desculpas. Levei a garota para casa. Depois disso, decidi me afastar de vez das aventuras vazias.
Algumas conexões não se repetem.
Meses depois, meu celular vibrou.
Brenda.
Sorri antes mesmo de atender. — Tô por perto. Quero te ver.
— Vem — respondi, sem pensar.
Quando abri a porta, ela não disse nada. Apenas me agarrou como se o tempo tivesse sido um erro. Não houve conversa. Não houve hesitação. Apenas reconhecimento.
Com ela, tudo fluía. O controle era natural. O jogo, silencioso. Entrega absoluta, confiança total. Não havia medo. Não havia limite — apenas acordo.
Aquela noite foi longa. Intensa. Exaustiva.
Depois, banho, comida esquecida sobre a mesa, risos baixos, corpos relaxados.
— Ninguém chega perto de você — ela disse, passando os dedos pelo meu peito.
— Nem você — respondi. — Mas é por isso que funciona.
Não havia amor ali. Nunca houve. Era algo diferente. Vício. Conexão. Fogo.
O tempo passou rápido.
As férias vieram, voltei para casa, vi meus pais. Tudo parecia em ordem. Mas a rotina mudou quando começaram os estágios. O trabalho exigia foco. A vida cobrava postura.
Eu e Brenda nos víamos quando dava. Três meses. Cinco. Sempre intensos. Sempre do mesmo jeito.
Quando consegui uma vaga numa empresa de peso, meus pais comemoraram como se fosse um movimento estratégico bem-sucedido. Brenda vibrou por mim.
No trabalho, fui apresentado à assistente. Educada. Nervosa. Em um descuido, derramou café na minha roupa.
— Me desculpa, senhor Marlon…
— Calma — respondi, tranquilo. — Só preste atenção.
Ela sorriu, aliviada.
O tempo correu. Um ano passou sem que eu percebesse. Minha formatura chegou junto com meus 23 anos. Eu estava pronto. Estruturado. Frio quando precisava ser.
Convidei Brenda para a cerimônia.
Ela apareceu deslumbrante. Conheceu minha família. Sorria como se soubesse exatamente onde estava pisando. A festa foi perfeita.
Mas o que veio depois… era nosso.
No apartamento, sem pressa, sem palavras, repetimos o ritual que só nós entendíamos. Primeiro leve. Depois intenso. Depois sem freios.
Dormimos juntos.
Na manhã seguinte, acordei com ela já sobre mim, faminta como sempre. Ficou uma semana. Depois foi embora.
E assim era com a Brenda.
Sem promessas.
Sem amor.
Só poder, prazer e silêncio.
E, naquele momento da minha vida…
isso era mais do que suficiente.